Mastercard realiza testes de pagamentos B2B com agentes de inteligência artificial no Brasil

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Mastercard prevê crescimento do B2B no Brasil até 2026, impulsionado pela digitalização.

Durante a Febraban Tech, realizada em São Paulo, a Mastercard destacou que 2026 será um ano crucial para o setor B2B no Brasil, com a digitalização e novos fluxos de pagamento como motores desse crescimento. A competição no mercado, que ainda enfrenta processos ineficientes, está prestes a se intensificar.

Marcelo Tangione, CEO da Mastercard Brasil, e Walter Pimenta, vice-presidente-executivo de pagamentos comerciais da empresa para a América Latina, compartilharam suas perspectivas sobre o futuro do setor durante o evento.

De acordo com dados apresentados por Tangione, em 2022, o Brasil movimentou R$ 4,5 trilhões em transações com cartões, com mais de 90% do consumo privado utilizando meios eletrônicos, como cartões e Pix. O executivo acredita que o Brasil está a caminho de se tornar uma cashless society, sendo o primeiro entre as grandes economias a alcançar esse marco, devido à combinação de escala e velocidade de adoção.

O foco do crescimento não está mais nas compras individuais, mas nas transações entre empresas, que cada vez mais envolvem pagamentos realizados por agentes de inteligência artificial (IA). Esse novo modelo, conhecido como comércio agêntico, permite que sistemas de IA pesquisem fornecedores, negociem e finalizem transações sem intervenção humana.

“Essa é uma mudança significativa, uma das maiores que veremos nos próximos anos”, afirmou Tangione, ressaltando a necessidade de cautela. Ele citou os desafios de contestação de pagamentos, mencionando que, ao delegar essa função a máquinas, a indústria precisará reavaliar as regras e responsabilidades em transações que antes eram realizadas por pessoas.

A resposta da Mastercard a esses desafios envolve um conceito central: certificação. A empresa busca garantir que os agentes operem dentro dos padrões de segurança e utilizem credenciais tokenizadas, um princípio fundamental para a segurança das transações B2B.

“A segurança é a base de todos os pagamentos”, enfatizou Tangione. Ele também mencionou que a Mastercard já realizou transações agênticas com 17 parceiros no Brasil, incluindo sua primeira parceria com o Santander, evidenciando que essa realidade já está em curso.

Pequenas e médias empresas

O mercado de pagamentos B2B ainda está em sua infância, representando apenas 9% do volume total transacionado em cartões no Brasil, enquanto a Mastercard estima um potencial de R$ 700 bilhões a R$ 750 bilhões não capturados. Globalmente, apenas 13% das relações comerciais utilizam esse tipo de arranjo.

Pimenta destacou a importância das pequenas e médias empresas, que representam 90% dos negócios e 70% dos empregos no mundo. No Brasil, 95% das empresas se enquadram nessa categoria. Ele apontou que, enquanto a digitalização oferece oportunidades, também impõe riscos, como a necessidade de presença digital e proteção contra fraudes.

A Mastercard reformulou sua proposta de valor para cartões empresariais, adaptando não apenas o produto, mas também a economia por trás dele, oferecendo benefícios que atendem às necessidades reais dos negócios. Isso inclui ferramentas de diagnóstico digital, um score de risco cibernético chamado MyCyberRisk, seguros e uma plataforma de benefícios.

A empresa também aposta em sistemas de ERP, que já são utilizados por mais da metade das pequenas e médias empresas no Brasil. A recente parceria com a Omie resultou na criação de um cartão Mastercard integrado à plataforma, facilitando transações para os usuários.

Nas grandes corporações, que representam 70% do PIB brasileiro, o cenário é diferente, com uma predominância do boleto como meio de pagamento. A Mastercard reconhece que a dor nesse segmento é mais operacional do que de adoção, com equipes inteiras dedicadas à reconciliação manual de pagamentos, o que pode aumentar o risco de fraudes.

A solução proposta pela Mastercard é o Virtual Card Number (VCN), um cartão gerado especificamente para cada transação, que permite a reconciliação automática em tempo real. A empresa também anunciou uma parceria com o Citibank para a indústria de viagens corporativas, visando melhorar a eficiência nesse setor.

Pimenta destacou que, ao tornar o cartão empresarial mais atraente, a Mastercard está focada em resolver problemas reais dos negócios, o que facilita a adoção. O

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