MCTI facilita acordo entre Ceitec e empresa chinesa para produção de semicondutores no Brasil

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Brasil avança em negociações para produção de semicondutores com apoio da China.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação está mediando negociações entre a Ceitec, estatal do setor, e a empresa chinesa Global Power Technology para a produção de semicondutores no Brasil. Esse acordo, ainda em fase de formalização, é uma tentativa de superar um desafio que o país enfrenta desde os anos 2000, intensificado pela crise global de chips gerada pela pandemia.

A reunião que deu início a essas negociações contou com a participação da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, além de representantes das duas empresas envolvidas.

Luciana Santos destacou que a parceria tem um elevado potencial estratégico, podendo ampliar as capacidades industriais do Brasil, promover inovações tecnológicas e fortalecer a inserção do país em cadeias globais de valor relacionadas a tecnologias críticas.

A Ceitec, situada em Porto Alegre, é responsável pelo projeto e fabricação de circuitos integrados. Embora tenha enfrentado um processo de liquidação em 2020, que foi revertido em 2021, a estatal atualmente se concentra na produção de chips utilizados em identificação logística e veicular, incluindo aplicações em pedágios eletrônicos e rastreamento de ativos.

Em um sinal de apoio, o MCTI anunciou um investimento de R$ 220 milhões na Ceitec, a ser distribuído ao longo de três anos, destinado ao desenvolvimento de uma nova linha de chips de carbeto de silício (SiC) para dispositivos de potência, com aplicações em energia solar e veículos elétricos.

Histórico de tentativas no setor

O Brasil já tentou entrar no setor de semicondutores em diversas ocasiões. Na década de 1970, foi implementada uma política de incentivo à indústria eletrônica, que durou até os anos 1980. Em 2000, o tema voltou a ser discutido como uma lacuna no complexo eletrônico nacional.

Desde então, foram criados vários instrumentos, como o Programa CI-Brasil, em 2005, para formação de projetistas de circuitos integrados, e o Programa PADIS, em 2007, que oferecia desoneração tributária para fabricantes. Esses esforços resultaram em um setor que chegou a movimentar mais de R$ 3 bilhões por ano e gerar mais de 2.500 empregos qualificados, conforme dados de associações do setor.

No entanto, o Programa PADIS parou de aceitar novos projetos em julho de 2020, e a maioria de seus benefícios expirou em janeiro de 2022, o que impactou negativamente o setor.

Pressão global e desafios internos

A pressão internacional é um fator crucial para que o Brasil tome medidas efetivas. Países como Estados Unidos, China, União Europeia, Taiwan, Coreia do Sul, Singapura e Israel estão implementando políticas públicas para fortalecer a produção local de chips. Entre 2014 e 2018, o apoio orçamentário a 21 das principais empresas do setor globalizou somou US$ 36 bilhões.

Os Estados Unidos aprovaram a lei CHIPS, que destina US$ 52 bilhões para a fabricação doméstica de semicondutores. A China tem um plano de investir até US$ 200 bilhões no setor até 2025. Além disso, Taiwan e Singapura subsidiam a construção de fábricas, com o governo taiwanês cobrindo cerca de metade dos custos de terreno e construção.

No Brasil, a crise de abastecimento afetou diretamente a indústria automotiva. Um estudo apontou que a falta de chips resultou na perda de produção de cerca de 120 mil veículos no primeiro semestre de 2021.

Futuro e próximos passos

Ainda não foram divulgados os termos da parceria com a Global Power Technology. A ministra Esther Dweck considerou o acordo um passo importante para aumentar a capacidade do Brasil em um setor vital para a economia digital.

A indústria de semicondutores é parte integrante da Nova Indústria Brasil, uma política do governo federal com metas até 2033, que visa reduzir a dependência externa em tecnologias críticas.

Documentos governamentais indicam que o pleno desenvolvimento do setor exigirá um horizonte mínimo de 15 anos, investimentos constantes e uma colaboração eficaz entre o Estado, academia e setor privado, seguindo o modelo que garant

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