Mensagens e encontros revelam evidências contra Moraes antes de sua prisão
Ministro Alexandre de Moraes presta esclarecimentos sobre sua relação com ex-banqueiro em sessão do STF.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, irá esclarecer publicamente sua relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, durante uma sessão do plenário da Corte em Brasília.
A reunião, marcada para às 10h, analisará um relatório da Polícia Federal que envolve Moraes como interlocutor de Vorcaro. O documento menciona diálogos e encontros entre ambos, além de detalhes sobre um contrato significativo entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Este evento ocorre em um momento crítico para o STF, podendo resultar na abertura de uma investigação contra Moraes ou na anulação do relatório, conforme solicitado pela Procuradoria-Geral da República.
Entre os elementos que pesam contra Moraes estão mensagens trocadas entre ele e Vorcaro, que revelam discussões sobre a fuga do ex-banqueiro, que se preparava para deixar o país dois dias antes de sua prisão em 2025.
Em conversas, Vorcaro indagou a Moraes sobre a possibilidade de deixar o Brasil, demonstrando preocupação com as investigações que já estavam em andamento na época, relacionadas a fraudes bilionárias no banco.
Outro ponto controverso envolve um contrato de R$ 131 milhões, em que Moraes teria feito edições antes da assinatura. A Receita Federal confirmou que R$ 80,2 milhões foram pagos ao longo de dois anos, e a banca de advocacia reconheceu a intervenção do ministro.
O relatório também revela que Vorcaro discutiu com uma funcionária a urgência de um pagamento ao escritório, enfatizando que era “o pagamento mais importante que temos”.
Além disso, há menções a negociações sobre a transferência de um jatinho e um helicóptero como parte do pagamento de um segundo contrato com a banca de Moraes, embora a empresa tenha negado a formalização de tais acordos.
As mensagens indicam que Moraes e Vorcaro se encontraram pelo menos seis vezes, com o ex-ministro Fábio Faria atuando como intermediário em algumas dessas ocasiões.
As suspeitas sobre Moraes também incluem relatos de Vorcaro sobre uma possível pressão ao ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio, em relação à venda de parte do Banco Master.
Adicionalmente, a relação entre Moraes e Vorcaro envolveu discussões sobre eventos jurídicos, com o ministro expressando descontentamento em relação a convidados e à organização de um Fórum Jurídico em Londres.
O desdobramento desta sessão poderá ter implicações significativas para a imagem do STF e para a carreira de Moraes, em um momento em que a Corte enfrenta um dos maiores desafios de sua história.