Microrganismo se transforma em gigante canibal e começa a consumir clones de si mesmo

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Estudo revela comportamento canibal de protista unicelular em laboratório.

Um estudo recente descreveu um fenômeno intrigante envolvendo o protista unicelular chamado Euplotes gigatrox. Em populações clonadas dessa espécie, uma fração das células sofre uma transformação que as torna significativamente maiores, alterando sua morfologia e modo de locomoção, além de levar essas células a caçar e devorar indivíduos geneticamente idênticos.

Os pesquisadores conduziram observações em condições de laboratório, mas ainda não identificaram os fatores que desencadeiam essa mudança. Eles descartaram a falta de alimento e a superpopulação como causas possíveis, sugerindo que outros elementos precisam ser investigados para entender esse comportamento.

Na forma habitual, o Euplotes gigatrox é uma célula pequena e alongada que se alimenta de bactérias utilizando estruturas semelhantes a pelos, conhecidas como cílios. Esses cílios criam correntes de água que direcionam as partículas de alimento para a célula. No entanto, a transformação canibalística observada nesta espécie é particularmente notável, já que, sob certas condições, algumas células se tornam gigantes, com comprimento superior ao dobro do normal, apresentando corpo maior e estruturas de alimentação ampliadas.

O biólogo celular Patrick Keeling destacou que a diferença entre os dois estágios é impressionante ao ser observada ao microscópio, especialmente pela capacidade predatória adquirida pelos “supergigantes”. Após a transformação, essas células deixam de filtrar bactérias e começam a capturar indivíduos menores da mesma espécie, conseguindo engolir uma célula a cada dez minutos durante as observações.

A transformação também implica uma reorganização interna significativa. Os cientistas descobriram que mais de 42% dos genes analisados apresentam diferenças na expressão entre os dois estágios de desenvolvimento, evidenciando um controle rigoroso do processo de transformação.

Embora a forma gigante ofereça a vantagem de consumir presas maiores, também impõe limitações. Os supergigantes se movem mais rapidamente, mas suas trajetórias são restritas a círculos sobre superfícies, enquanto as células normais conseguem nadar longas distâncias. A manutenção de um corpo maior acarreta um custo metabólico elevado, embora a capacidade de ingerir presas maiores possa representar uma vantagem reprodutiva.

Os pesquisadores também descobriram que a transformação não é permanente. Os supergigantes podem dividir-se em duas células iguais ou retornar à forma normal por meio de divisões celulares assimétricas. Uma única célula supergigante pode gerar até nove células normais em apenas 24 horas. Contudo, as células recém-retornadas ao estado normal têm menor capacidade de se transformar novamente em supergigantes em comparação às células originadas diretamente da forma convencional, sugerindo um período de “resfriamento” antes que uma nova transformação ocorra.

Os autores sugerem que apenas uma pequena fração das células se torna canibal devido a um equilíbrio evolutivo. Como um supergigante não consegue devorar outro supergigante, uma população composta apenas por indivíduos nessa forma rapidamente ficaria sem alimento, tornando essa estratégia insustentável. Apesar de todas as observações terem sido feitas em ambiente controlado, a ocorrência de transições semelhantes em diferentes linhagens de ciliados sugere que esse tipo de adaptação pode ser relativamente comum durante o ciclo de vida desses organismos. As células demonstram comportamentos complexos, incluindo formas de locomoção e caça que lembram as de animais.

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