Microsoft projeta lançamento de computador quântico para 2029, mas especialistas levantam dúvidas

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Microsoft avança na pesquisa de modos de Majorana em computação quântica.

A Microsoft tem se empenhado por quase duas décadas na busca por modos de Majorana, quasipartículas que emergem em materiais supercondutores topológicos, apresentando características únicas de comportamento.

O físico Ettore Majorana, em 1937, foi o responsável pela descrição matemática desses férmions, que intrigam cientistas por serem simultaneamente partículas e suas próprias antipartículas. Essa dualidade torna-os objeto de intenso estudo e pesquisa.

Os modos de Majorana, que a Microsoft investiga, não são partículas fundamentais, mas sim fenômenos emergentes na matéria condensada. O interesse da empresa reside na possibilidade de desenvolver qubits mais estáveis, que poderiam oferecer maior resistência ao ruído externo, um dos principais desafios enfrentados na computação quântica atual.

Recentemente, a Microsoft apresentou o Majorana 2, um novo processador quântico topológico. Este dispositivo utiliza novos materiais para criar uma fase topológica mais estável. A base científica para essa inovação provém de um artigo publicado na revista Nature, que se tornou fundamental para os avanços da companhia. O diretor técnico de hardware quântico, Chetan Nayak, anunciou que a Microsoft antecipou seu cronograma, visando um computador quântico plenamente funcional até 2029.

A comunidade científica está atenta e exigente em relação a esse novo artigo e ao programa de pesquisa associado. A crítica e a análise rigorosa são essenciais no método científico, e uma recente revisão publicada na Nature levantou questionamentos sobre os fundamentos do trabalho, não apenas em detalhes periféricos, mas em suas bases teóricas.

Os antecedentes da Microsoft em publicações científicas não são favoráveis. Dois artigos anteriormente apoiados pela empresa foram retirados da revista Nature, e outros dois textos foram alvo de alertas sobre possíveis problemas. A Microsoft justificou que esses trabalhos foram realizados fora de seus laboratórios e não passaram por revisão interna antes da publicação. O artigo de fevereiro de 2025, que agora é questionado, é o quinto a ser alvo de escrutínio, mas, diferentemente dos anteriores, permanece publicado.

A resposta da Microsoft foi firme, defendendo seu programa de pesquisa e os avanços práticos que vem alcançando, apesar das incertezas. Chetan Nayak comparou a situação a debater a possibilidade do voo antes de se ver um avião em funcionamento.

Por outro lado, Sergey Frolov, físico da University of Pittsburgh, destacou que a Microsoft carece de evidências sólidas que sustentem suas alegações, ao contrário de rivais como IBM e Quantinuum, que não dependem dos modos de Majorana. Frolov enfatizou a falta de experimentos confiáveis que comprovem a viabilidade dos avanços propostos pela Microsoft.

Além disso, o contexto geopolítico impõe uma pressão adicional. O governo anterior dos Estados Unidos investiu pesadamente em computação quântica, estabelecendo metas ambiciosas para o desenvolvimento de sistemas funcionais. A corrida pela liderança na computação quântica é real, e a questão que permanece é a solidez científica que a sustenta.

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