Miguel Vázquez, fundador do Ueno Bank, é conhecido como o Vorcaro do Paraguai
Escândalo financeiro no Paraguai leva à renúncia do presidente Santiago Peña.
O empresário Federico Miguel Vázquez Villasanti, conhecido como Miguel Vázquez, tornou-se o protagonista de um grave escândalo financeiro e político no Paraguai. Ele é o fundador e 1º vice-presidente do Ueno Bank, além de presidir o Grupo Vázquez, que detém a maior parte das ações da instituição financeira.
A crise que atingiu o Ueno Bank foi um dos principais fatores que resultaram na renúncia do presidente paraguaio Santiago Peña, do Partido Colorado. A situação crítica do banco, que se transformou em um dos maiores bancos digitais do país, culminou em uma série de investigações que expuseram irregularidades financeiras significativas.
Formado pela Incae Business School e com experiências em instituições renomadas como Harvard e a Universidade de Miami, Vázquez expandiu suas operações nos setores de tecnologia e finanças, controlando 28 empresas em diversas áreas, incluindo seguros e agropecuária.
O Ueno Bank, que se tornou o carro-chefe do Grupo Vázquez, representava cerca de 59% do Ebitda do conglomerado. Em 2023, o banco alcançou aproximadamente 3 milhões de clientes e acumulou cerca de US$ 2,8 bilhões em depósitos, o que equivale a quase metade da população paraguaia.
A queda de Vázquez se deu após o Banco Central do Paraguai determinar a liquidação do banco, após constatar que o índice de solvência da instituição havia caído para menos de 50% do mínimo legal exigido. Investigações subsequentes revelaram que o banco havia concedido mais de US$ 146 milhões em empréstimos irregulares a empresas ligadas ao seu grupo controlador, ultrapassando os limites regulatórios.
RELAÇÃO COM SANTIAGO PEÑA
Na quinta-feira, 5 de novembro, Santiago Peña anunciou sua renúncia, diante da iminência de um processo de impeachment que foi rapidamente aprovado pela Câmara e encaminhado ao Senado. Peña alegou que sua decisão visava preservar a estabilidade social do país após o colapso do Ueno Bank, do qual foi acionista até março de 2025.
O escândalo também levou à renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que havia comandado o Ueno Bank até agosto de 2023. O Ministério Público iniciou uma investigação criminal, resultando na prisão de oito dirigentes e ex-dirigentes da instituição, incluindo o presidente do banco, Juan Manuel Gustale.
As investigações estão focadas em suspeitas de gestão fraudulenta, enriquecimento ilícito e irregularidades em uma carteira de crédito que soma dezenas de milhões de dólares pendentes de recuperação. Enquanto isso, o Banco Central trabalha para ressarcir os depósitos dos pequenos poupadores afetados pelo encerramento das operações do banco.