Milei intensifica luta contra a legalização do aborto na Argentina
Declarações de Javier Milei sobre natalidade geram polêmica na Argentina.
O presidente da Argentina, Javier Milei, atribuiu a queda da natalidade em seu país ao movimento feminista e à legalização do aborto, que ele descreveu como uma “loucura” com impactos negativos na economia e no sistema previdenciário.
Durante uma conferência empresarial em Buenos Aires, Milei afirmou que a Argentina não consegue atingir uma taxa de crescimento populacional que assegure a reposição da população. Ele criticou o que chamou de “paixão por matar crianças no ventre da mãe”, ressaltando que isso tem consequências significativas para o crescimento do país.
Um relatório recente do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) destaca que a Argentina enfrenta uma transformação demográfica profunda, com uma taxa de fecundidade projetada de 1,2 filho por mulher em 2024, bem abaixo do nível de reposição populacional, que é de 2,1 filhos por mulher.
O UNFPA aponta que a redução da natalidade é influenciada por diversos fatores, incluindo limitações financeiras, insegurança no emprego, dificuldades de acesso à moradia e a falta de opções para o cuidado de crianças. Esses elementos são citados como razões pelas quais mais de 60% das pessoas tiveram menos filhos do que desejavam.
Embora Milei considere o aborto como um “homicídio agravado pelo vínculo”, ele ainda não apresentou propostas ao Congresso para revogar a lei que legalizou o aborto em 2020. Entretanto, organizações não governamentais alegam que seu governo tem enfraquecido programas e instituições dedicados à saúde sexual e reprodutiva, criando barreiras ao acesso à interrupção legal da gravidez.
