Milena Leal, do Google Cloud, defende que IA deve solucionar grandes problemas para impactar negócios
Desafios e estratégias para monetizar a inteligência artificial nas empresas brasileiras.
A transição da promessa de inteligência artificial (IA) para resultados financeiros ainda é um desafio para muitas empresas no Brasil. Essa perspectiva foi discutida por líderes de grandes empresas durante um painel que abordou a monetização da IA nos negócios.
O diretor da divisão enterprise da Nvidia para a América Latina, Marcio Aguiar, salientou a importância de preparar o mercado brasileiro antes de oferecer tecnologia. Ele enfatizou que as empresas parceiras devem desenvolver produtos que atendam às necessidades do mercado, e a Nvidia está focada em elevar o conhecimento dos profissionais para que cheguem prontos a essas empresas.
Aguiar mencionou o recente edital para o supercomputador brasileiro, que permitirá que fabricantes apresentem propostas até 8 de outubro. Esse passo é um indicativo de que o Brasil está investindo em infraestrutura de IA, preparando-se para um futuro mais robusto nesse setor.
Ricardo Kamel, CEO da HP Brasil, trouxe à tona a necessidade de focar nas pessoas ao discutir IA nas empresas. Ele criticou a abordagem que se concentra apenas em custos e redução de pessoal, afirmando que é essencial identificar problemas a serem resolvidos antes de automatizar processos. Kamel alertou para o risco de automatizar tarefas sem valor, resultando em soluções de IA que não agregam benefícios reais.
A HP adota uma estratégia que considera o futuro do trabalho, integrando a IA à experiência do funcionário em vez de substituí-la. Kamel destacou que a nova geração de trabalhadores busca mais do que um salário; eles desejam participar, produzir e sentir pertencimento. Ele acredita que formar esses profissionais para se tornarem líderes é crucial para a sustentabilidade das empresas nos próximos anos.
Milena Leal, country manager do Google Cloud Brasil, reforçou a ideia de que a colaboração entre empresas e fornecedores de tecnologia deve focar em desafios significativos, em vez de automações isoladas. Para ela, a conexão entre executivos de negócios e parceiros tecnológicos desde o início do projeto é fundamental para alcançar resultados satisfatórios.
No encerramento do painel, os executivos compartilharam recomendações sobre a adoção de IA orientada a resultados. Aguiar destacou que o momento atual é propício para empresas que buscam iniciar essa jornada, sugerindo que a validação é essencial e que a transformação não ocorre da noite para o dia. Ele também aconselhou as empresas a utilizarem a concorrência entre fornecedores a seu favor durante as negociações.
Kamel concluiu enfatizando que a responsabilidade pela decisão de investimento em IA não deve ser exclusivamente do CIO, mas sim do conselho da empresa, que deve definir a estratégia de onde investir. O CIO, segundo ele, deve se concentrar em habilitar soluções que ofereçam segurança e uma experiência positiva para os funcionários.
