Milho dos EUA apresenta resultados abaixo do esperado e impacta preços do mercado
Nova estimativa do Pro Farmer aponta para redução significativa na safra de milho dos EUA.
A produção de milho nos Estados Unidos recebeu uma nova previsão que pode impactar os preços no mercado global. O Pro Farmer, após avaliar mais de 3 mil lavouras em sete estados, apresentou uma estimativa bem abaixo da projeção oficial do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
A discrepância é considerável, com cerca de 17 milhões de toneladas a menos em comparação ao que o USDA prevê. Caso essa redução se confirme, os efeitos poderão ser sentidos nos preços globais, no comércio internacional e também nas lavouras brasileiras.
O Pro Farmer estima a produção americana em cerca de 390 milhões de toneladas, enquanto o USDA calcula aproximadamente 407 milhões. Além disso, a produtividade observada no campo foi mais de 4% inferior à previsão oficial, com menor quantidade de espigas e grãos mais curtos, refletindo lavouras irregulares.
Embora essa alteração não implique em uma safra pequena nos Estados Unidos, a diferença entre a oferta esperada e o que realmente poderá ser colhido é relevante. Em um mercado com margens apertadas, a eliminação de 17 milhões de toneladas da oferta potencial pode causar impactos significativos.
Os Estados Unidos, sendo o maior exportador mundial de milho, enfrentam uma reestruturação no comércio global. Quando há diminuição na produção, os compradores buscam alternativas, e os preços de Chicago tendem a incluir um prêmio de risco.
Brasil e Argentina são considerados fornecedores naturais para suprir essa demanda. Países que dependem do milho norte-americano podem intensificar a busca por produtos brasileiros, especialmente em um contexto de dificuldades geopolíticas que afetam os embarques pelo Mar Negro.
Recentemente, o milho para dezembro superou a marca de US$ 5 por bushel, alcançando o maior nível dos últimos dois anos e meio. A reação do mercado à estimativa do Pro Farmer, divulgada após o fechamento da Bolsa, deve se intensificar no início da próxima semana.
Embora haja um potencial de valorização, não há garantia de que essa alta será contínua, uma vez que o mercado ainda aguarda a colheita e as próximas revisões do USDA.
Para o agricultor brasileiro, uma cotações internacionais mais firmes melhoram as referências de comercialização. A crescente demanda externa pode impulsionar os preços nos portos e no mercado interno. No entanto, o Brasil já não depende exclusivamente das exportações para consumir sua produção.
A demanda interna deve ultrapassar a marca de 100 milhões de toneladas pela primeira vez. O setor de carnes continua a absorver um volume significativo, e o etanol de milho se consolidou como uma força crescente, com estimativas indicando que as usinas poderão consumir cerca de 28,5 milhões de toneladas no ciclo 2026/27.
Essa mudança de cenário é positiva, pois o produtor agora conta com indústrias, usinas e compradores externos competindo pelo cereal, o que proporciona suporte aos preços e reduz a dependência de um único destino. Contudo, essa situação também torna o balanço mais apertado.
A valorização do milho beneficia os produtores e comerciantes, mas eleva os custos para as cadeias que dependem da ração. Setores como avicultura, suinocultura, produção de leite e confinamento bovino são os primeiros a sentir os impactos de qualquer alta no preço do cereal.
O Cepea já apontou uma redução no poder de compra dos avicultores, resultado da combinação entre o preço mais baixo do frango e o aumento dos custos do milho e farelo de soja. Assim, os efeitos no agronegócio brasileiro tendem a ser desiguais, onde o agricultor pode ter lucros maiores, enquanto os produtores de proteína animal enfrentam margens menores.
Se o aumento nos custos das rações chegar ao consumidor, isso poderá refletir nos preços dos alimentos e na inflação.
Os produtores precisam estar atentos às variações do câmbio. O dólar terminou a semana próximo de R$ 5,14, e uma moeda americana mais fraca pode diminuir os ganhos de Chicago quando convertidos para reais.
Além disso, os custos com petróleo, que está acima de US$ 94, impactam diretamente o diesel, fertilizantes e fretes. O Canal do Panamá também anunciou restrições nas travessias devido à falta de chuvas, o que gera mais riscos para a logística internacional.
Assim, o milho pode valorizar no mercado externo, mas isso não necessariamente se traduz
