Milton Leite é investigado em operação contra infiltração do PCC no transporte público de São Paulo
Ex-vereador Milton Leite é alvo de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta.
O ex-vereador Milton Leite, de 67 anos, é um dos alvos da Operação Vectura Corrupta, que foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A operação investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
Em comunicado, Leite informou que está em viagem, mas se comprometeu a se apresentar às autoridades em até 24 horas. Ele afirmou: “Estou em viagem, não estou foragido e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações.”
Com uma trajetória política de destaque, Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos. Ele deixou a Câmara no final de 2024, após 28 anos de atuação no Legislativo, mas continuou influente na política local.
Após seu mandato, Leite participou de articulações no União Brasil e assumiu a presidência estadual da Federação União Progressista, que reúne União Brasil e Progressistas. Sua carreira política começou na zona sul de São Paulo, onde foi eleito pela primeira vez em 1996, sendo reeleito seis vezes consecutivas.
Durante sua presidência na Câmara, Leite liderou o Legislativo em 2017 e 2018, e novamente de 2021 a 2024, tendo assumido interinamente a Prefeitura de São Paulo em diversas ocasiões. Após deixar o cargo, passou a atuar nos bastidores da política, apoiando a candidatura de familiares nas eleições de 2026.
O nome de Leite já havia surgido em investigações relacionadas à Transwolff, uma empresa de ônibus que foi alvo da Operação Fim da Linha, em 2024, sob suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. O contrato da empresa com a Prefeitura de São Paulo foi cancelado, embora a companhia tenha negado qualquer ligação com a facção.
Em fevereiro deste ano, um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar levantou possíveis conexões entre Leite e policiais presos por atuarem na segurança de dirigentes da Transwolff. Mensagens trocadas entre um policial e um diretor da empresa faziam referência a Leite como “chefe Milton”. A investigação também sugeriu relações financeiras e políticas entre o ex-vereador e a empresa.
Leite negou conhecer o policial mencionado e afirmou que ele nunca fez parte de sua escolta. A Câmara Municipal confirmou que um capitão, citado nas investigações, havia trabalhado na Assessoria Policial Militar durante diferentes gestões.
Em agosto, o Ministério Público denunciou quatro policiais militares por supostamente integrarem uma organização criminosa que prestava segurança a dirigentes da Transwolff, mas a denúncia não apontou a participação de Leite no esquema.
A Prefeitura de São Paulo, sob a gestão do prefeito Ricardo Nunes, afirmou que a intervenção na Transwolff, realizada em abril de 2024, foi uma medida decisiva para proteger o sistema de transporte municipal. Além disso, a administração municipal também determinou a intervenção na UPBus, sem solicitação judicial, visando preservar o interesse público.
A Prefeitura ressaltou que desde o início das investigações, colaborou com o Ministério Público e a Polícia Civil, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários.