Mineiro é identificado como delator no caso Dark Horse
Empresário revela transferências financeiras ligadas a investigações do Banco Master.
O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, confirmou a realização de transferências bancárias que estão sendo investigadas no contexto do caso do Banco Master.
Mineiro, que é proprietário da Entre Investimentos e Participações, se tornou um colaborador importante na investigação sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Seu acordo de colaboração premiada foi homologado recentemente pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, após negociação com a Procuradoria Geral da República.
À frente do Grupo Entre, Mineiro tem uma trajetória de atuação em negócios de grande porte, incluindo investimentos e comunicação. Ele possui participação na revista IstoÉ e é controlador da credenciadora Entrepay, que foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em março deste ano. Em janeiro, a Entre Investimentos foi alvo de mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal, no âmbito das investigações do caso Master.
Em seu depoimento à Procuradoria Geral da República, Mineiro relatou ter realizado sete transferências bancárias durante o ano de 2025 para o fundo norte-americano Havengate, totalizando US$ 12,3 milhões, a pedido de Vorcaro. Além das transferências, o empresário também mencionou operações envolvendo grandes quantidades de dinheiro em espécie, que eram transportadas e entregues a pessoas indicadas por Vorcaro, reforçando sua função como operador financeiro.
O fundo Havengate, que é administrado por Paulo Calixto, um advogado de imigração com vínculos próximos a Eduardo Bolsonaro, foi utilizado para financiar a cinebiografia “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com a homologação do acordo de Mineiro, as autoridades brasileiras estão buscando cooperação internacional para acessar informações sobre a movimentação financeira do fundo Havengate. As investigações da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República visam esclarecer se os recursos transferidos foram exclusivamente destinados à produção do filme ou se parte deles também financiou a permanência de Eduardo Bolsonaro no exterior.