Ministro alerta que impasses prejudicam negociações com os EUA sobre tarifas e corre contra o tempo por um consenso
Ministro do Desenvolvimento comenta sobre negociações com os EUA e desafios enfrentados.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, destacou que obstáculos externos têm dificultado as negociações entre o Brasil e os Estados Unidos em relação ao tarifaço proposto.
Ele enfatizou a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em manter o diálogo e a mesa de negociação, independentemente de questões ideológicas que possam surgir.
Elias Rosa fez essas declarações durante uma entrevista no Rio de Janeiro, onde discutiu suas conversas com representantes do governo americano, buscando reverter a imposição de tarifas.
O prazo estabelecido pela Casa Branca para que um acordo seja alcançado é 15 de julho, o que leva o governo brasileiro a trabalhar rapidamente para encontrar um consenso com os norte-americanos.
“Todas as vezes em que nós caminhamos positivamente parece que surge algum empecilho ou atropelo e nós precisamos superar. […] O presidente Lula esteve com o presidente Trump na Malásia, depois daquele encontro na ONU, e sempre foram muito positivos”, declarou o ministro.
Questionado sobre os “atropelos” mencionados, o ministro citou a ordem executiva de julho do ano passado e a interferência no julgamento do Supremo Tribunal Federal como exemplos que complicam as tratativas.
Ele também mencionou que ações de ex-deputados e celebrações nas redes sociais sobre a imposição de tarifas dificultam o progresso nas negociações.
Para Elias Rosa, esses comportamentos prejudicam o diálogo, pois introduzem questões que não deveriam ser discutidas na mesa de negociações.
“Não cabem na mesa de negociação da economia, do comércio bilateral, questões ideológicas, eleitoreiras, pessoalmente oportunistas, isso não tem cabimento”, afirmou o ministro.
O ministro ressaltou a importância de enfrentar esses desafios com serenidade, afirmando que, apesar dos avanços nas reuniões, o tempo é um fator limitante e é fundamental chegar a um acordo até a data limite.
Expectativas do Planalto quanto ao tarifaço
Auxiliares do presidente Lula, sob reserva, expressam descrença em uma reversão completa do tarifaço, mas afirmam que o governo continuará a negociar, apresentando dados comerciais e argumentos técnicos.
“A avaliação é que a decisão do USTR tem motivações políticas e não técnicas, e, assim, pode haver alguma exceção ou eventual redução de taxa, mas não a reversão completa da medida”, comentaram.
Os integrantes do Palácio do Planalto destacam a importância de manter uma “linha de diálogo” entre os dois governos, com reuniões regulares entre representantes de Lula e Trump.
Documentos revelam desconsideração de argumentos
Integrantes do Ministério das Relações Exteriores afirmam que os documentos do USTR demonstram que a investigação baseada na seção 301 é de natureza política, não técnica ou comercial.
Relatos indicam que os documentos iniciais e a recomendação final são quase idênticos, evidenciando que os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil foram ignorados.
Uma delegação brasileira, composta por representantes das áreas econômica e ambiental, chegou a ir a Washington para apresentar dados sobre a redução do desmatamento, mas a diplomacia brasileira acredita que suas preocupações foram desconsideradas.
