Ministros apresentam oito peças com acusações e pedidos em apenas duas horas
Discussões acaloradas no STF marcam sessão sobre investigações do Banco Master.
O Supremo Tribunal Federal (STF) passou por uma intensa troca de ofícios e despachos em uma sessão marcada por discussões acaloradas e acusações entre os ministros. Em um intervalo de aproximadamente duas horas, foram emitidos oito documentos, refletindo a tensão em torno das investigações do Banco Master.
A controvérsia teve início com a resposta de André Mendonça a críticas de Alexandre de Moraes sobre a seletividade na quebra de sigilo de processos. Mendonça contestou a validade da tabela apresentada por Moraes, que indicava 180 documentos não disponibilizados, classificando-a como “imprestável”.
Em resposta, Moraes apresentou evidências visuais do sistema do STF, acusando Mendonça de selecionar documentos para proteger um grupo político específico. A discussão se intensificou com a solicitação de Cristiano Zanin, que pediu acesso aos dados do celular de Daniel Vorcaro, com Mendonça afirmando que a cópia do aparelho estava “lacrada e intocada”. Zanin insistiu na necessidade de acesso imediato aos dados.
Gilmar Mendes também se uniu ao debate, questionando a validade do julgamento que ocorreria na próxima terça-feira e sugerindo que o presidente do STF, Edson Fachin, reunisse os processos para uma condução mais clara. Mendes expressou dúvidas sobre a prontidão da Pet 16.662 para julgamento.
Além disso, Mendonça apresentou uma extensa manifestação para justificar o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e Leandro Almada da cúpula da Polícia Federal, contestando a alegação da União de que tal medida causaria desorganização na PF. Ele argumentou que a instituição é robusta o suficiente para suportar mudanças na liderança.
Em meio a essa troca de ofícios, Mendonça também decidiu derrubar o sigilo de diversos outros processos, incluindo casos relacionados ao filme “Dark Horse” e figuras políticas como o ex-governador do Rio de Janeiro e senadores. Essa ação ampliou ainda mais o escopo das investigações em curso.
A sessão do STF culminou em um clima de crescente tensão, com novas perguntas surgindo a cada resposta e a expectativa de mais documentos a serem apresentados. A crise envolvendo as investigações do Banco Master não se restringe apenas aos conteúdos dos processos, mas também se estende à definição dos limites de atuação dos ministros e ao próprio rito do julgamento.