Mistério das pedras móveis no deserto revela rochas de até 300 quilos
O fenômeno das pedras que se movem no deserto finalmente ganha explicação científica.
Imagine caminhar por um lago seco no coração do deserto e deparar-se com enormes pedras, algumas pesando mais de 300 quilos, acompanhadas de longos rastros no solo, como se tivessem se deslocado sozinhas por grandes distâncias. Esse intrigante fenômeno tem fascinado cientistas por décadas, gerando teorias que vão desde forças magnéticas até explicações sobrenaturais.
O local em questão é Racetrack Playa, um lago seco situado no Parque Nacional do Vale da Morte, na fronteira entre Califórnia e Nevada, nos Estados Unidos. Esta região, conhecida por registrar algumas das temperaturas mais extremas do planeta, abriga um dos maiores mistérios da geologia contemporânea.
As pedras navegantes
As chamadas “pedras navegantes” são formadas por dolomita e sienito, que se desprendem das montanhas circundantes e se espalham pela superfície plana da antiga lagoa. O que mais impressiona os pesquisadores é a capacidade dessas rochas de mudar de posição ao longo dos anos, deixando trilhas que podem ultrapassar 450 metros de comprimento.
As marcas deixadas pelas pedras variam significativamente. Algumas seguem trajetórias quase retas, enquanto outras fazem curvas inesperadas ou mudam de direção abruptamente. Por muito tempo, ninguém conseguiu observar o movimento das pedras, apenas os rastros deixados para trás.
Diversas teorias foram propostas ao longo do século XX. Alguns cientistas acreditavam que ventos extremamente fortes poderiam ser responsáveis por mover as rochas. Outros sugeriram que terremotos, correntes de água, campos magnéticos ou até mesmo a intervenção humana poderiam ser fatores influentes. Também havia hipóteses que consideravam o gelo como um elemento crucial, mas sem evidências concretas para comprovar essa ideia.
O mistério finalmente foi resolvido
A resposta definitiva começou a emergir em 2014, quando uma equipe de cientistas instalou câmeras em time-lapse, sensores meteorológicos e dispositivos de GPS para monitorar o local de forma contínua. O estudo revelou que o fenômeno é resultado de uma combinação de fatores climáticos.
Após períodos de chuva, uma fina camada de água se forma sobre a superfície do lago seco. Durante noites extremamente frias, essa água congela, criando uma camada de gelo com apenas alguns milímetros de espessura. Quando o sol nasce, o gelo começa a derreter e se fragmenta em grandes placas flutuantes.
Nesse momento, os ventos relativamente fracos, com velocidade em torno de 5 metros por segundo, entram em cena, empurrando essas placas de gelo sobre a água ainda líquida. Ao encontrar as pedras pelo caminho, o gelo atua como uma espécie de vela, exercendo força suficiente para deslocar lentamente os blocos pesados.
Contrariando as suposições anteriores, as pedras não ficam presas ao gelo nem flutuam sobre ele. Elas são simplesmente empurradas pelas placas enquanto deslizam sobre a lama úmida e escorregadia.
O movimento ocorre de forma extremamente lenta, geralmente a poucos metros por minuto, tornando quase impossível percebê-lo a olho nu sem equipamentos de monitoramento. Essa lentidão, combinada com a raridade das condições climáticas necessárias, contribuiu para que o fenômeno permanecesse sem explicação por tanto tempo.
Uma única placa de gelo pode empurrar várias pedras simultaneamente, o que explica por que diferentes rochas deixam rastros paralelos ao longo da planície.
