Moro enfrenta resistência no PL, mas atrai apoio do Novo para candidatura no Paraná
Senador Sergio Moro enfrenta resistência em sua nova filiação ao PL para concorrer ao Governo do Paraná.
O senador Sergio Moro, que recentemente se filiou ao PL com o objetivo de concorrer ao Governo do Paraná, já encontra resistência dentro do partido. A insatisfação é liderada pelo presidente estadual da legenda, deputado federal Fernando Giacobo, que anunciou sua saída do comando do PL.
Giacobo, que não se manifestou sobre o assunto, comunicou a prefeitos do PL que também deixará a sigla, indicando uma possível filiação ao PSD, partido do governador Ratinho Junior. Ele pode persuadir outros políticos do PL a seguir o mesmo caminho.
A ausência de Giacobo na cerimônia de filiação de Moro em Brasília foi notada por seus aliados. O presidente estadual acredita que o PL deve manter a aliança com o PSD, especialmente após Ratinho Junior ter desistido da candidatura à presidência e decidido focar em seu mandato no Palácio Iguaçu, visando garantir a vitória de um sucessor.
Ainda não foi definido qual nome do PSD disputará o governo paranaense, e o grupo teme que Moro, que lidera as pesquisas de intenção de voto, possa vencer a eleição.
Este não é o primeiro conflito de Moro com membros de seu partido. Ele já teve desavenças com integrantes do União Brasil no Paraná, quando ainda era filiado a essa sigla. O maior atrito ocorreu durante as eleições de 2024, quando contestou candidaturas de correligionários em cidades estratégicas e pediu a intervenção da cúpula do partido.
No final do ano passado, Moro também foi rejeitado pelo PP, que é liderado no Paraná pelo deputado federal Ricardo Barros. Com o apoio de Ciro Nogueira, presidente nacional da sigla, Barros vetou a candidatura de Moro ao Governo do Paraná dentro da federação formada entre o PP e o União Brasil.
A filiação de Moro ao PL foi uma consequência das articulações em torno da corrida presidencial. O senador Flávio Bolsonaro (PL), que se lançou como pré-candidato à presidência, buscava um apoio forte no Paraná, especialmente com a candidatura de Ratinho Junior ao governo federal.
A desistência de Ratinho Junior surpreendeu seus aliados, mas não afetou o acordo prévio que Moro havia estabelecido com a liderança do PL. O governador admitiu seu interesse em participar das eleições presidenciais de 2024 e estava se preparando para a disputa antes de sua recente decisão.
Aliados afirmam que a opinião da família influenciou a decisão de Ratinho, além da dificuldade em assegurar uma candidatura viável para seu grupo no Palácio Iguaçu. O PSD paranaense também perdeu o apoio do partido Novo, liderado pelo ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol.
Moro e Deltan se distanciaram nas eleições de 2024, quando Dallagnol apoiou Ratinho Junior na eleição de Eduardo Pimentel (PSD) para a Prefeitura de Curitiba, enquanto Moro lançou sua esposa, Rosangela Moro, como candidata a vice-prefeita na chapa do União Brasil.
Para as eleições de 2026, Moro conseguiu atrair o Novo para sua chapa, com Deltan como pré-candidato ao Senado, ao lado de Filipe Barros.
Integrantes do Novo afirmam que não havia como o partido continuar apoiando o PSD, em oposição ao bolsonarismo e ao ex-juiz da Lava Jato. A operação que deu origem à vida partidária de Deltan e Moro sustentou sua bandeira anti-PT.
Para que a aliança entre o PL e o Novo se consolidasse, o partido de Deltan teve que descartar a possibilidade de uma candidatura própria, que havia sido cogitada com a filiação do ex-deputado federal Paulo Martins, atual vice-prefeito de Curitiba.
Martins, amigo de Ratinho Junior e adversário de Moro na disputa pelo Senado em 2022, viu prevalecer a ideia de que Deltan não poderia adotar uma postura contrária ao PL.
Além de Moro, outros dois pré-candidatos ao Executivo já foram anunciados: o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que saiu do PSD para o MDB, e o deputado estadual Requião Filho (PDT), que conta com o apoio do PT.
No PSD, há dois nomes em destaque: o secretário estadual das Cidades, Guto Silva, e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Alexandre Curi
