Mostra de cinema indica direções para a formação em memória audiovisual

Compartilhe essa Informação

A 21ª CineOP destaca a preservação do patrimônio audiovisual no Brasil.

Em sua 21ª edição, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto reafirma sua importância como o principal espaço do país para debates sobre a preservação do patrimônio audiovisual, educação e políticas públicas para o setor.

Até terça-feira (30), o festival reúne pesquisadores, realizadores, professores, estudantes, arquivistas e gestores culturais em uma programação diversificada que inclui exibições de filmes, encontros nacionais e oficinas. O foco das discussões é o futuro da preservação audiovisual no Brasil.

Um dos principais anúncios da mostra é a proposta de criação de um Centro de Referência em Preservação Audiovisual no Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), em colaboração com o Centro Técnico Audiovisual (CTAv). Essa iniciativa visa fortalecer a formação profissional na área e ampliar a oferta de cursos.

Apresentada pelo reitor do IFRJ, Thiago Matos Pinto, a proposta pretende estabelecer um espaço permanente dedicado ao ensino, pesquisa e extensão em preservação audiovisual. Caso aprovado, o centro contará com infraestrutura própria e orçamento específico, contribuindo para a qualificação de profissionais em um setor considerado estratégico para a memória audiovisual brasileira.

Desde a abertura, a temática “Um País Existe nas Imagens que Preserva” tem orientado os debates, articulando três eixos: preservação, história e educação. Na cerimônia de abertura, a coordenadora-geral da CineOP, Raquel Hallak, enfatizou a importância de preservar imagens como um ato de preservar a identidade do país.

Hallak afirmou que a perda de uma imagem não representa apenas a destruição de um arquivo, mas a extinção de uma memória e uma oportunidade de reconhecimento que se desvanecem. Ela ressaltou que a preservação do audiovisual vai além do simples armazenamento de acervos, sendo o início de novas formas de acesso e desenvolvimento do setor.

A abertura da mostra também homenageou a cineasta Helena Solberg, de 88 anos, que recebeu o Troféu Vila Rica e participou da exibição restaurada de seus primeiros filmes, “A Entrevista” e “Meio-Dia”, produzidos no início da década de 1960.

Formação de público

Outro destaque da programação é o Cine Expressão, um segmento da CineOP direcionado à infância e juventude, que envolve estudantes de escolas públicas de Ouro Preto e região em sessões comentadas e atividades pedagógicas.

A curadora Ramina El Shadai explicou que o projeto visa despertar o interesse dos jovens pelo cinema, priorizando a apreciação da tela antes de se pensar na formação de plateias. “É fundamental que eles gostem de estar ali”, defendeu.

Após as sessões, os estudantes participam de conversas sobre sentimentos, emoções e temas abordados pelos filmes. As escolas recebem materiais pedagógicos elaborados para enriquecer as discussões em sala de aula.

“Fortalecer o sentimento de pertencimento é essencial. Quando essa cultura de interesse é criada, a plateia surge naturalmente”, avaliou.

Encontros

Além das exibições de filmes, a CineOP promove fóruns e encontros nacionais ao longo da programação, voltados à preservação audiovisual, educação e memória. Esses eventos reúnem representantes de cinematecas, universidades e profissionais do setor para discutir políticas de preservação, acesso aos acervos e estratégias de formação.

As discussões têm como objetivo consolidar propostas que fortaleçam a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro e ampliem sua circulação junto ao público.

A 21ª CineOP segue até terça-feira (30), com todas as atividades gratuitas.

Parte da programação pode ser acompanhada também de forma online por meio da plataforma da mostra.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *