Motta afirma que CPI do Master seguirá tratamento regimental
Presidente da Câmara confirma que CPI sobre o Banco Master seguirá regimento interno.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, anunciou que o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master será tratado conforme o regimento interno da Casa. A declaração foi feita durante um evento esportivo em Brasília, conhecido como Corrida da Câmara.
Motta enfatizou a importância de seguir os procedimentos regimentais, destacando que isso norteará suas decisões como líder do Legislativo. Ele se referiu à prerrogativa que possui para conduzir a análise dos pedidos de CPI, que atualmente somam mais de sete iniciativas relacionadas ao Banco Master.
Destes pedidos, cinco já possuem o número mínimo de assinaturas necessárias para que a comissão seja instaurada. A fala do presidente indica que a análise dos requerimentos seguirá a ordem em que foram apresentados, respeitando a fila de CPIs já existente na Câmara.
Em declarações anteriores, Motta havia mencionado que apenas cinco comissões poderiam operar simultaneamente, o que limita a capacidade de investigação do Congresso neste momento. Ele reiterou que a análise dos pedidos de CPI deve respeitar a ordem cronológica estabelecida no regimento da Casa.
Banco Master
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, após a prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro, na primeira fase da Operação Compliance Zero. A instituição enfrentava investigações por suspeitas de irregularidades na emissão e negociação de ativos financeiros.
Vorcaro foi detido no aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar em um jatinho particular. Sua defesa alegou que a viagem estava devidamente comunicada ao Banco Central e tinha como finalidade uma reunião com investidores. No entanto, a Polícia Federal apontou indícios de risco de fuga.
Após 11 dias de prisão, Vorcaro foi liberado com medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Contudo, ele foi novamente preso em março de 2026 durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, sob a ordem do ministro André Mendonça, que investiga acusações de ameaças, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos eletrônicos.
Após sua nova prisão, Vorcaro começou a discutir um possível acordo de colaboração premiada. Em março de 2026, ele assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República, um passo preliminar para a negociação de sua delação. Entretanto, essa proposta ainda não recebeu homologação do Supremo Tribunal Federal.
Em maio, o ministro Mendonça declarou que não havia analisado o material apresentado e ressaltou que qualquer colaboração premiada precisa ser “séria e efetiva”. Essa afirmação foi feita após o ministro indicar que não tinha a intenção de homologar os termos da proposta de delação apresentada pela defesa de Vorcaro.
