MST solicita a Haddad revisão da lei de Tarcísio sobre terras em São Paulo

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MST apresenta propostas ao pré-candidato Fernando Haddad em reunião produtiva.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se reuniu na quarta-feira (1º de julho de 2026) com Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo. Durante o encontro, o grupo entregou uma lista de propostas e questionou a recente legislação sobre a destinação de terras públicas devolutas, que está sendo contestada no Supremo Tribunal Federal (STF).

Gilmar Mauro, membro da Coordenação Nacional do MST, destacou que foram apresentadas seis questões ao pré-candidato, com ênfase na lei que regula a destinação de terras no estado. A legislação, que foi implementada pelo atual governador, tem gerado polêmica, sendo acusada de favorecer interesses privados em detrimento da reforma agrária e do bem público.

De acordo com Mauro, a lei permite que terras públicas, já decididas em terceira instância, sejam entregues a fazendeiros com descontos significativos, o que ele descreveu como uma “regularização do grilo”. Esse processo tem gerado preocupações sobre a justiça social e a equidade no acesso à terra.

Atualmente, o julgamento relacionado a essa ação está suspenso desde maio, aguardando o voto de Gilmar Mendes, enquanto Cármen Lúcia, relatora do caso, já se manifestou a favor da anulação da lei em questão.

O MST estima que cerca de 500 mil hectares na região do Pontal do Paranapanema poderiam ser utilizados para assentamentos agroflorestais e agroecológicos, o que possibilitaria a criação de oportunidades para cerca de 100 mil famílias por meio do reflorestamento.

Além disso, o movimento solicitou apoio financeiro para expandir agroindústrias voltadas para a agricultura familiar, incluindo iniciativas como a produção de frutas e a linha de sorvete “Gelado do Campo”. Gilmar Mauro afirmou que já existem algumas agroindústrias em operação e que a ampliação dessas atividades pode contribuir significativamente para aumentar a renda das famílias envolvidas.

Eis as propostas apresentadas pelo MST:

  • destinação de terras públicas devolutas;
  • financiamento para agroindústrias;
  • reformulação do crédito agrícola, com foco na agricultura familiar e assentamentos produtivos;
  • construção de sacolões nas periferias de São Paulo, com subsídio do Estado para reduzir o consumo de ultraprocessados;
  • criação de um departamento de cooperativismo para assistência técnica aos produtores;
  • plano de reflorestamento para recuperação de áreas degradadas no estado.

Mauro mencionou que Haddad solicitou um documento formal com as propostas para análise. Ele descreveu a reunião como “uma das melhores” que o MST teve com o pré-candidato nos últimos tempos.

Até o momento, tentativas de contato com o atual governador para comentar as críticas do MST e a situação no STF não resultaram em resposta. O mesmo ocorreu com Fernando Haddad em relação à reunião. O conteúdo será atualizado caso haja novas informações.

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