Na China, pais superprotetores optam por smartwatches em vez de celulares para os filhos
Smartwatches infantis ganham popularidade na China como alternativa aos smartphones.
Na China, a adoção de smartwatches por crianças tem se tornado uma prática comum, com muitos pequenos utilizando esses dispositivos desde cedo. Diferente do que se observa em outras partes do mundo, onde a discussão gira em torno da idade ideal para dar um celular a uma criança, os relógios inteligentes surgem como uma solução viável para os pais.
Esses dispositivos se tornaram a escolha favorita dos pais que buscam segurança e controle. Com a capacidade de rastrear a localização e realizar chamadas, os smartwatches oferecem uma forma de comunicação sem expor as crianças a um acesso irrestrito a aplicativos, como ocorre com os smartphones.
Estima-se que cerca de um terço das crianças chinesas entre 5 e 12 anos possua um smartwatch. O mercado conta com várias marcas, mas uma delas se destacou, alcançando uma participação significativa no setor de relógios infantis e no mercado geral de dispositivos vestíveis no país, superando até mesmo a Apple em crescimento.
Os relógios, conhecidos como Xiaotiancai na China e Imoo no Ocidente, são equipados com funcionalidades como conectividade móvel, GPS e suporte para chamadas de vídeo. As versões mais avançadas oferecem tecnologia de rastreamento que permite localizar a criança até mesmo dentro de edifícios. Os preços variam de R$ 600 a R$ 1.800 na conversão direta.
Os relatos de pais sobre a aquisição desses dispositivos revelam preocupações com a segurança dos filhos. Muitos expressam que, sem o relógio, sentiriam uma ansiedade constante em relação ao paradeiro das crianças. O smartwatch proporciona tranquilidade, permitindo que os pais saibam onde estão seus filhos e se comuniquem com eles facilmente, sem os riscos associados a um smartphone.
Além das funções de rastreamento e comunicação, esses smartwatches possuem aplicativos com acesso controlado pelos responsáveis. Isso permite que os pais gerenciem o que é instalado e quem pode se conectar com as crianças, criando um ambiente mais seguro em comparação ao que um smartphone oferece.
Uma mãe compartilhou que, após pesquisar modelos de outras marcas, sua filha preferiu o modelo conhecido como Little Genius, que combina a proteção dos pais com um apelo atrativo para as crianças, incluindo uma rede social integrada. O aplicativo permite troca de mensagens, postagem de fotos e interação com amigos, criando um senso de pertencimento.
Apesar de suas funcionalidades limitadas em comparação aos smartphones, os smartwatches têm gerado preocupações sobre seu potencial viciante. O sistema de recompensas, que incentiva atividades como check-ins diários e adição de contatos, transformou o relógio em uma plataforma de competição entre as crianças, recriando dinâmicas sociais que podem ser prejudiciais.
Como resultado, algumas escolas na China já tomaram a decisão de proibir o uso desses dispositivos em sala de aula, buscando mitigar os efeitos adversos que podem surgir dessa nova forma de interação social entre os jovens.