Navio com materiais tóxicos vendido pela França ao Brasil é afundado pela Marinha por falta de alternativas
O destino do porta-aviões São Paulo: um afundamento polêmico e controverso
A história do porta-aviões São Paulo, adquirido pelo Brasil da França no ano 2000, culminou em um desfecho trágico e controverso. Após mais de duas décadas de serviço, o navio foi afundado deliberadamente no Atlântico, levantando questões sobre a presença de materiais perigosos em sua estrutura.
O São Paulo, um navio com 265 metros de comprimento e capacidade para cerca de 2.000 tripulantes, foi um ícone do poder naval francês desde sua entrada em serviço em 1963. Com um histórico que abrangeu desde testes nucleares no Pacífico até operações no Líbano, o navio foi rebatizado após sua compra pelo Brasil por aproximadamente US$ 12 milhões.
Entretanto, a venda não se limitou à estrutura do navio. Antes da entrega, a França havia iniciado um processo de remoção de amianto e descontaminação, mas este ficou incompleto. Como resultado, o São Paulo ainda continha materiais tóxicos, como amianto, tintas com metais pesados e PCB, que se tornaram um problema crescente ao longo dos anos.
Durante seu tempo como embarcação militar, o São Paulo enfrentou diversos desafios, incluindo incêndios e problemas de manutenção, que culminaram na decisão do Brasil de desativá-lo em 2017. O plano inicial de modernização foi abandonado devido aos altos custos, levando à decisão de vendê-lo como sucata para uma empresa turca.
Em 2021, a empresa comprou o porta-aviões com a intenção de desmontá-lo, mas a operação falhou quando a Turquia retirou a autorização de importação devido a preocupações ambientais relacionadas ao amianto. O navio, então, ficou preso em águas brasileiras, enfrentando a deterioração e representando um risco para a navegação.
Com a situação se tornando insustentável, a Marinha do Brasil decidiu por um “afundamento planejado e controlado”. Em fevereiro de 2023, cargas explosivas foram utilizadas para abrir o casco do São Paulo, que afundou a cerca de 350 quilômetros da costa, em uma profundidade de aproximadamente 5.000 metros.
Apesar das tentativas de impedir a operação, os tribunais não bloquearam o plano. A polêmica em torno do afundamento se intensificou com a falta de consenso sobre a quantidade de materiais perigosos que ainda estavam a bordo. Estimativas oficiais falavam em cerca de 9,6 toneladas de amianto, mas organizações ambientais alertaram para números muito maiores, incluindo a presença de outros contaminantes tóxicos.
Esse desfecho levanta questões sobre a responsabilidade ambiental e o manejo de resíduos perigosos, destacando que, ao invés de resolver o problema, o Brasil optou por depositar o navio inteiro no fundo do oceano, perpetuando a preocupação com a contaminação marinha.
