Nazareth Castellanos, neurocientista, explica que suspiro de desânimo é causado pela amígdala
O suspiro: uma linguagem universal do corpo humano.
Às vezes, as palavras se tornam desnecessárias; um olhar atento pode transmitir tudo. Quando alguém recebe uma ligação, escuta com atenção e solta um longo suspiro, é possível perceber que algo não vai bem. Essa expressão não verbal é uma forma de comunicação mais antiga que a própria linguagem, onde o corpo se manifesta em sua língua universal.
A divulgadora científica Nazareth Castellanos destaca que essa forma de comunicação está profundamente ligada ao funcionamento do cérebro. Contudo, essa linguagem corporal pode ser facilmente mal interpretada.
Castellanos recentemente apresentou uma palestra que gerou grande interesse na internet. Durante sua fala, abordou como o cérebro é “estimulado” e como a amígdala, uma estrutura cerebral fundamental, pode ser “esvaziada” em determinados momentos, levando a um “reinício” do sistema emocional. Embora essa explicação tenha se tornado popular, ela carece de precisão em alguns aspectos.
Embora o suspiro esteja relacionado ao nosso sistema socioemocional, a dinâmica por trás dele é mais complexa do que se imagina.
Para compreender o que desencadeia um suspiro, é necessário explorar um circuito específico localizado no tronco encefálico. Estudos realizados em camundongos identificaram cerca de 200 neurônios que produzem dois peptídeos essenciais para a ocorrência do suspiro: a neuromedina B e o peptídeo liberador de gastrina. Esses peptídeos estão associados ao complexo pré-Bötzinger, que atua como um marca-passo respiratório. Em resumo, a presença desses peptídeos resulta em um suspiro, enquanto a obstrução de seus receptores interrompe esse processo.
A amígdala, uma parte crucial do nosso “processador emocional”, desempenha um papel significativo nesse contexto. Pesquisas indicam que a estimulação elétrica dessa região pode provocar apneia e uma queda nos níveis de oxigênio, mesmo sem que os indivíduos percebam. Embora o mecanismo biológico exato ainda não seja completamente compreendido, é evidente que a amígdala influencia o controle respiratório. Castellanos menciona que a amígdala pode “aumentar sua atividade” e provocar “apneia induzida pela amígdala”, o que reforça essa conexão.
Por fim, a questão que se coloca é se o suspiro é apenas uma forma do corpo expressar que já é suficiente. Essa interpretação é válida, mas o suspiro é, na verdade, um fenômeno complexo da neurociência que ainda não foi totalmente desvendado. O que se sabe é que ele é desencadeado por processos cerebrais que existem há muito tempo, tornando-o uma expressão universal que não requer palavras.
