Negociações estagnam e Estados Unidos encerram diálogos com o Paquistão sobre acordo com o Irã
Negociações entre EUA e Irã em Islamabad terminam sem acordo de paz.
Após 21 horas de intensas negociações em Islamabad, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, anunciou que a comitiva norte-americana deixou a capital paquistanesa sem um acordo de paz. A cidade foi escolhida como um território neutro para mediar as tratativas visando o fim de um conflito armado que já dura mais de 40 dias.
De acordo com Vance, o Irã não aceitou os termos apresentados pelos EUA, sendo a principal questão a exigência de que Teerã não desenvolvesse armas nucleares. O vice-presidente destacou que essa demanda é um objetivo central da administração americana, e enfatizou que a falta de acordo representa uma situação mais desfavorável para o Irã do que para os Estados Unidos.
Outro ponto crítico nas negociações foi a reabertura do estreito de Ormuz, uma rota essencial que transporta cerca de 20% do petróleo global, além de insumos econômicos vitais como gás natural liquefeito e ureia. Desde o início do conflito, o Irã bloqueou essa passagem, o que gerou um aumento nos preços do petróleo devido à escassez de oferta.
O bloqueio do estreito de Ormuz impactou significativamente o mercado global, levando o Irã a propor a cobrança de taxas de trânsito para embarcações que utilizam essa rota, buscando assim gerar receita e reforçar sua influência sobre uma das principais vias de comércio de energia do mundo.
Atualmente, autoridades iranianas afirmam que a passagem está reaberta, mas sob uma trégua instável, o que resulta em um clima de incerteza e na redução do volume de navegação. O Irã também advertiu que destruirá navios que tentarem entrar no estreito sem autorização.
O QUE CADA LADO QUER
As reivindicações norte-americanas incluem:
- Liberdade de navegação no estreito de Ormuz;
- Contenção do programa nuclear iraniano e impedimento de avanço armamentista;
- Desmantelamento da capacidade militar iraniana no conflito regional;
- Redução da influência de aliados regionais do Irã;
- Manutenção de sanções e restrições econômicas ao Irã.
Por outro lado, o Irã busca:
- Manter ou expandir o controle sobre o estreito de Ormuz;
- Suspender as sanções econômicas;
- Acesso a ativos financeiros congelados no exterior;
- Reparações de guerra;
- Cessar-fogo regional abrangente, incluindo o Líbano;
- Preservação de suas capacidades militares e nucleares estratégicas.
Por que um acordo é difícil
As negociações enfrentam desafios estruturais profundos que vão além do conflito atual. Os EUA condicionam qualquer avanço à limitação do programa nuclear iraniano e à garantia de livre navegação pelo estreito de Ormuz. Em contrapartida, o Irã considera essas exigências como restrições à sua soberania, insistindo na manutenção de suas capacidades militares e em compensações econômicas pelos danos causados pela guerra.
Além disso, as divergências em relação às sanções econômicas, ativos congelados e a segurança regional, que inclui a atuação de aliados iranianos no Oriente Médio, complicam ainda mais o cenário. Essa desconfiança acumulada ao longo de décadas entre Washington e Teerã torna um acordo abrangente uma tarefa politicamente sensível e tecnicamente complexa, mesmo com a continuidade das negociações.
Essas conversas marcaram a primeira reunião direta entre os dois países em mais de uma década, representando um encontro de alto nível desde a Revolução Islâmica de 1979.
