Neil Redding defende que liderar atualmente é orquestrar em vez de comandar
Neil Redding destaca a importância da agilidade nas decisões em meio à revolução da inteligência artificial.
Durante o IT Forum Praia do Forte, que ocorre na Bahia de 19 a 23 de agosto, Neil Redding, especialista em futurismo, trouxe à tona a questão do descompasso entre a velocidade de execução e a de tomada de decisão nas empresas modernas. Ele destacou que a inteligência artificial acelerou o processo de execução a níveis quase instantâneos, enquanto as decisões ainda dependem de comitês e aprovações demoradas.
Um exemplo que ilustra essa realidade é o caso de duas repórteres que, utilizando uma IA, conseguiram publicar uma matéria em apenas uma hora, sem escrever uma linha de código e gastando apenas quinze dólares. Essa rápida execução teve um impacto imediato no mercado, com uma queda de 30% nas ações de software nos dias seguintes. Redding enfatizou que, embora o mercado se recupere com o tempo, é fundamental observar o que acontece internamente nas organizações.
Redding também compartilhou a história de Mark Pike, um advogado que, sem formação em tecnologia, desenvolveu um plugin de revisão jurídica utilizando linguagem natural com a IA Claude. Essa ferramenta transformou o tempo de resposta de dias para horas, mostrando que a inovação não requer necessariamente conhecimento técnico profundo, mas sim a capacidade de formular instruções claras.
O especialista alertou sobre o uso de ferramentas de IA não aprovadas nas empresas, afirmando que cerca de metade dos funcionários já as utiliza. Ele destacou que se as organizações não conseguirem acompanhar a velocidade da execução, suas estratégias podem ser implementadas por outros, seja dentro da própria empresa ou por concorrentes.
Redding descreveu o fenômeno do “Clock Drift” como uma transformação do modelo operacional das empresas em uma vulnerabilidade. Para ele, a solução não está em um controle mais rígido, mas em uma nova forma de liderança que permita a orquestração das dinâmicas entre humanos e IA.
Da liderança de comando à liderança de orquestra
O especialista afirmou que, pela primeira vez, a IA se tornou um participante ativo nas operações, não apenas uma ferramenta. A interação entre humanos e IA está evoluindo para um processo colaborativo, onde ambos moldam o resultado final. Redding citou um estudo que revela a correlação entre a sofisticação das instruções dadas à IA e a qualidade das respostas obtidas, indicando que o sucesso depende da clareza e do contexto oferecidos.
Ele ressaltou que a natureza das interações determina os resultados e que a verdadeira liderança consiste em orquestrar essas dinâmicas. A analogia com um maestro ilustra como a liderança deve ser flexível, ajustando-se às mudanças e promovendo um ambiente colaborativo onde todos os participantes contribuem para o resultado final.
De acordo com uma pesquisa recente, 84% das empresas ainda não adaptaram suas estruturas organizacionais para incorporar as capacidades da IA. Redding provocou a plateia, sugerindo que aqueles que estão cientes das implicações dessas mudanças devem desenvolver novas práticas para se manterem competitivos.
Ele também aconselhou que, antes de assumir novas tarefas, os líderes devem considerar como delegá-las a agentes de IA. Redding destacou que o verdadeiro ativo das empresas não é mais a tecnologia, mas sim o contexto proprietário que elas detêm, como relacionamentos com clientes e conhecimento do mercado.
Esse contexto, segundo ele, está frequentemente fragmentado e mal compartilhado dentro das organizações, o que pode comprometer a eficiência. Redding defendeu que manter um “context layer” de alta qualidade deve ser uma prioridade para as empresas que desejam prosperar em um ambiente em rápida evolução.
Ao final de sua apresentação, Redding fez uma reflexão provocativa sobre o futuro: o verdadeiro risco não é a lentidão na execução, mas a otimização de modelos de negócios que podem se tornar obsoletos. Ele concluiu que o foco deve estar em quem realmente estará no comando quando as decisões finalmente alcançarem a velocidade das execuções.
