Nicaragua encerra ciclo eleitoral sob decisão do presidente
Ortega anuncia fim das eleições na Nicarágua, consolidando seu poder autoritário.
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou que o país não realizará mais eleições, eliminando a possibilidade de uma disputa eleitoral ao final de seu mandato em 2027.
Essa decisão reforça o controle que Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, exercem sobre o governo. Desde que assumiu a presidência em 2007, Ortega tem adotado medidas que limitam a oposição política.
Em um discurso recente, Ortega afirmou: “Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e o poder”, referindo-se ao que considera uma ameaça dos partidos opositores.
“Os dias em que partidos apoiados pelos ianques e pelos somozistas voltariam ao poder acabaram — nunca mais”, declarou ele em sua primeira aparição pública em dois meses.
A última eleição, realizada em 2021, foi marcada por controvérsias, com a prisão de opositores e a criminalização da dissidência política, resultando em amplas críticas internacionais.
Ortega também implementou reformas constitucionais que nomearam sua esposa como “copresidente” e ampliaram o mandato presidencial para seis anos, garantindo um controle quase total sobre o governo, incluindo as Forças Armadas e o Judiciário.
O regime do casal Ortega-Murillo tem sido alvo de acusações de transformar a Nicarágua em um Estado autoritário e de violar sistematicamente os direitos humanos, segundo o Conselho de Direitos Humanos da ONU.
A crise política na Nicarágua se intensificou desde abril de 2018, quando Ortega respondeu a protestos antigovernamentais com uma violenta repressão que resultou na morte de mais de 300 pessoas.
