Nicaragua responde ao Itamaraty defendendo sua soberania e eleições

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Governo da Nicarágua responde a preocupações sobre eleições no país.

O governo da Nicarágua se manifestou sobre a nota do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que expressou preocupação com o anúncio do presidente Daniel Ortega sobre a suspensão de processos eleitorais. A chancelaria nicaraguense afirmou que o pleito não está ameaçado e que o Brasil deve respeitar sua soberania.

No comunicado intitulado “Nossa soberania, nossas eleições”, o governo da Nicarágua reafirmou que realiza processos eleitorais democráticos, livres e transparentes, conforme as normas das instituições nacionais. A resposta destaca a importância da autonomia do país na condução de seus assuntos internos.

Além disso, o governo nicaraguense expressou seu “carinho fraternal ao povo do Brasil” e o respeito pelas instituições brasileiras. Essa declaração busca manter um tom diplomático, apesar das tensões geradas pelo anúncio de Ortega.

No último domingo, durante as comemorações dos 47 anos da Revolução Sandinista, Ortega anunciou que não haveria mais eleições presidenciais, o que levantou preocupações em diversas organizações internacionais e governos que mantêm relações com a Nicarágua. O governo brasileiro, por sua vez, reiterou a importância de eleições livres e transparentes como pilares da democracia.

O Itamaraty fez um apelo às autoridades nicaraguenses para que garantam ao povo o direito de escolher seus governantes, em contrariedade às declarações de Ortega. As próximas eleições estão previstas para 2027, mas a situação atual levanta dúvidas sobre a viabilidade desse processo.

A Nicarágua atravessa um período de erosão de seus mecanismos democráticos. Daniel Ortega está no poder desde 2007 e, desde 2018, enfrenta denúncias de perseguições a opositores e lideranças religiosas, inclusive por parte de organismos internacionais.

Em 2025, uma reforma constitucional aprovada pela Assembleia Nacional consolidou a copresidência de Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, aumentando as prerrogativas do Executivo e subordinando outros poderes e órgãos do Estado à sua coordenação.

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