Nokia registra crescimento anual de 140% e mostra sinais de recuperação

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Nokia renasce no mercado com foco em IA e redes ópticas.

Durante anos, a Nokia foi vista como uma relíquia do passado, famosa por seus celulares indestrutíveis e jogos icônicos. No entanto, essa percepção é injusta, pois a empresa nunca desapareceu completamente. Após perder espaço no mercado de smartphones, a Nokia se reposicionou, concentrando-se em redes e infraestrutura de telecomunicações, essenciais para as comunicações modernas. Recentemente, a inteligência artificial (IA) trouxe a empresa de volta ao centro das atenções.

As ações da Nokia tiveram um aumento impressionante de mais de 140% em 2026, tornando-a a quarta empresa com melhor desempenho no índice Stoxx Europe 600 e alcançando valores não vistos desde 2008. Esse crescimento reflete uma nova visão dos investidores, que passaram a considerar a empresa não apenas como fornecedora de equipamentos, mas como uma parte vital da infraestrutura que suporta o avanço da IA, especialmente por meio de seus equipamentos ópticos para centros de dados.

É importante esclarecer que a alta nos papéis é atribuída à Nokia Oyj, a empresa listada em bolsa, e não à HMD Global, que comercializa celulares sob a marca Nokia. A separação ocorreu em 2014, quando a divisão de celulares foi vendida à Microsoft. Desde então, a Nokia tem operado em dois níveis: como uma marca reconhecida por consumidores e como uma empresa industrial no mercado global de telecomunicações.

Uma avaliação que se complica

A recente euforia no mercado de ações coloca a Nokia em uma situação delicada. Com a valorização das ações, justificar o crescimento futuro se torna um desafio. A relação preço/lucro projetada para os próximos 12 meses está em cerca de 36 vezes, mais que o dobro das 17 vezes registradas no início do ano. Além disso, a parte da empresa relacionada à IA e à nuvem, que alimenta essa nova narrativa, representou apenas 8% das vendas no primeiro trimestre.

A atratividade da Nokia reside em uma camada menos visível da narrativa sobre IA. Enquanto o foco geralmente está em chips e aplicações, os centros de dados necessitam de redes ópticas para transferir informações rapidamente entre sistemas de computação. A aquisição da Infinera, especializada em redes ópticas, fortaleceu a posição da Nokia nesse segmento, que agora se mostra especialmente relevante. Além disso, as vendas ligadas à IA cresceram 49% no primeiro trimestre, e a empresa elevou suas previsões para segmentos voltados a clientes de nuvem.

Embora o entusiasmo em relação às redes ópticas seja evidente, a Nokia já possui um negócio significativo que não deve ser ignorado. A divisão de redes móveis ainda representa mais da metade das vendas totais, mas opera com margens menores em comparação com a parte relacionada à nuvem e IA. As operadoras de telecomunicações reduziram gastos nos últimos anos, e a Nokia enfrentou perdas de contratos importantes nos EUA, o que torna a situação ainda mais desafiadora.

A grande questão que paira sobre a Nokia é se os investidores a enxergarão como algo além de uma lembrança de uma era tecnológica passada. Essa mudança de percepção já ocorreu no mercado, mas os investidores são exigentes. Após um aumento significativo nas ações, a empresa precisa demonstrar que sua exposição à IA se traduz em pedidos, receitas e margens. A narrativa voltou a ser atraente, mas agora é crucial que os números reflitam esse potencial.

Imagens | Nokia

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