Nova embalagem inovadora promete eliminar conservantes e destruir bactérias nocivas em alimentos

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Desenvolvimento de embalagens antimicrobianas promete aumentar a segurança alimentar.

No Instituto de Física de São Carlos (IFSC), pesquisadores inovaram ao criar embalagens para alimentos que incorporam agentes antimicrobianos naturais. Essas embalagens possuem a capacidade de eliminar bactérias prejudiciais à saúde humana, aumentando a segurança alimentar.

Os testes realizados em laboratório demonstraram a eficácia dessas embalagens. Elas utilizam uma estrutura baseada em vírus que infectam bactérias, mostrando potencial para prolongar a vida útil dos produtos alimentícios.

A pesquisa foi publicada em um artigo na revista científica especializada em tecnologia alimentar e bioprocessos.

O foco do estudo foi desenvolver embalagens alimentares antimicrobianas através da nanotecnologia e do uso de bacteriófagos, visando reduzir a contaminação bacteriana. Assim, as embalagens se tornam uma alternativa mais sustentável aos conservantes tradicionais, segundo a pesquisadora Fernanda Coelho, que é a primeira autora do artigo.

Controle de bactérias e segurança alimentar

Fernanda destaca que o estudo buscou criar materiais que aumentem a segurança alimentar e prolonguem a durabilidade dos produtos, uma abordagem mais específica e ecológica do que os conservantes químicos utilizados atualmente.

Os bacteriófagos são vírus que atacam exclusivamente bactérias, funcionando como agentes antimicrobianos altamente seletivos. Eles eliminam bactérias indesejadas sem prejudicar os alimentos, os seres humanos ou os microrganismos benéficos.

Essas embalagens alimentares, portanto, podem ser uma solução eficaz para controlar a contaminação e degradação bacteriana, contribuindo para a segurança e conservação dos alimentos.

A pesquisadora Sanna Sillankorva, do Grupo de Nanomedicina em Portugal, que também participou do estudo, afirma que os bacteriófagos representam uma estratégia inovadora para o controle de microrganismos patogênicos. A combinação de fagos com nanotecnologia potencializa a ação antimicrobiana de forma direcionada e sustentável, reduzindo a dependência de conservantes químicos.

Biopolímeros

Os pesquisadores utilizaram biopolímeros, com destaque para o alginato de sódio, para desenvolver revestimentos e materiais nanoestruturados que incorporam bacteriófagos.

Foram criadas nanofibras e revestimentos antimicrobianos através de técnicas como ultrassom e eletrofiação, permitindo a formação de estruturas finas com alta área superficial.

O alginato de sódio, um biopolímero extraído de algas marinhas, possui características biodegradáveis e biocompatíveis, ampliando suas aplicações nas indústrias alimentícia, farmacêutica e biomédica, além de ser promissor para o desenvolvimento de embalagens sustentáveis.

As nanoestruturas foram aplicadas em filmes e revestimentos para embalagens de papel e plástico, que simularam materiais comuns na indústria alimentícia. Esses materiais mostraram atividade antimicrobiana eficaz contra bactérias como Escherichia coli e Pseudomonas fluorescens.

Além disso, os bacteriófagos mantiveram sua atividade mesmo após serem incorporados aos materiais, sem alterar significativamente as propriedades mecânicas das embalagens, permitindo uma liberação gradual e ação prolongada.

De olho na indústria

As embalagens desenvolvidas têm potencial para serem aplicadas em diversos alimentos suscetíveis à contaminação bacteriana, especialmente em produtos frescos e minimamente processados, como carnes, vegetais, frutas, laticínios e alimentos prontos para consumo.

Fernanda enfatiza que, como os bacteriófagos atuam de forma específica contra bactérias contaminantes, essas embalagens podem aumentar a segurança microbiológica e prolongar a vida útil dos produtos, sem comprometer suas características sensoriais.

Entretanto, para que essas embalagens sejam comercializadas, ainda são necessários estudos sobre escalabilidade industrial, estabilidade a longo prazo, regulamentação e validação em alimentos reais.

Fernanda também destaca a importância de avaliar custos de produção, armazenamento e a aprovação pelos órgãos regulatórios para garantir uma aplicação segura nas embalagens comerciais.

O coordenador do Grupo de Nan

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