Novo método de recrutamento com inteligência artificial atrai jovens talentos para grandes equipes
Inteligência Artificial revoluciona a descoberta de talentos no futebol juvenil.
Todo adulto que aprecia o futebol já sonhou em ser um atleta profissional. O caminho para essa realização é desafiador e, além de habilidades, envolve a sorte de se destacar na frente de olheiros, que são profissionais em busca de talentos em jogos de escolas ou nas ruas. Ser selecionado pode transformar a vida de um jovem jogador, levando-o a categorias de base de grandes clubes internacionais com contratos que podem durar anos. Recentemente, esse processo tem sido impactado pela Inteligência Artificial.
Pelo menos três plataformas estão facilitando a conexão entre jovens atletas e clubes. A CUJU, um aplicativo alemão que chegou ao Brasil em 2022, já conta com mais de 150 mil downloads. O funcionamento é simples: os atletas realizam oito exercícios específicos que avaliam sua habilidade com a bola. As gravações geram gráficos que mostram áreas de melhoria e pontos fortes, além de atribuir notas e criar um ranking, aumentando a visibilidade dos melhores para os olheiros.
A CUJU também promove competições entre os usuários, incentivando o treinamento em clubes internacionais. Recentemente, os vencedores de um campeonato foram premiados com duas semanas de treinamento na Alemanha, no time Hertha Berlin. Vitor Teixeira, de 16 anos, e Marina Gil, de 15 anos, destacam-se como exemplos de jovens que estão aproveitando essas oportunidades. Vitor já integra o sub-17 do Red Bull Bragantino, enquanto Judy Lucciola e Kelsy de Oliveira, selecionadas pela plataforma, foram convocadas para a seleção feminina sub-15 e sub-17 do Brasil.
A Linksport é outra plataforma que conecta jovens atletas a grandes clubes. Com mais de 120 mil downloads desde seu lançamento no Brasil em 2022, o app funciona como um “LinkedIn do futebol”, permitindo que olheiros visualizem perfis de atletas e os convidem para seletivas. A proposta é que os atletas passem mais tempo treinando e participando de desafios do que navegando na plataforma, onde podem conquistar micro patrocínios.
Atualmente, os atletas estão visíveis para olheiros do Brasil e do Japão, e em uma fase futura, vídeos de jovens brasileiros estarão acessíveis a mais de 1500 olheiros internacionais. Para garantir a equidade nas oportunidades, a Linksport utiliza IA para analisar vídeos de desafios individuais, agrupando os resultados por gênero, idade e outras características. Isso garante que os olheiros tenham uma visão completa das habilidades dos atletas, evitando que apenas jogadas espetaculares sejam destacadas.
As plataformas implementam medidas rigorosas para proteger os dados dos jogadores. A CUJU armazena informações em um servidor na Alemanha e segue as diretrizes do Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia, sem compartilhar dados sem consentimento. A Linksport, por sua vez, possui um processo de cadastro rigoroso, onde mais de 2000 perfis ainda não estão ativos devido à falta de autorização dos responsáveis. Além disso, olheiros precisam apresentar documentação profissional para acessar os dados dos atletas, assegurando que as oportunidades de profissionalização sejam oferecidas de forma segura e justa.
