Ondas de calor colocam em risco a produção do Parmigiano Reggiano na Itália, alertam produtores
O calor extremo ameaça a produção do famoso queijo Parmigiano Reggiano na Itália.
Recentemente, a produção do renomado queijo Parmigiano Reggiano tem enfrentado desafios significativos devido ao aumento das temperaturas na região da Emília-Romanha, na Itália.
Tradicionalmente, os agricultores abriam as janelas dos celeiros durante as noites de verão para refrescar o gado. No entanto, com as ondas de calor recordes, essas janelas permanecem abertas durante todo o dia, a fim de proteger as vacas e, consequentemente, a qualidade do leite utilizado na produção do queijo.
“O calor extremo afeta a qualidade e a quantidade do leite”, afirmou um representante do setor.
As temperaturas frequentemente superam os 40°C, levando as vacas a deitar-se mais e a consumir menos, resultando em uma queda de até 10% na produção de leite, que é um dos três ingredientes essenciais do Parmigiano, junto com sal e coalho.
A produção do autêntico Parmigiano Reggiano é restrita a cinco províncias, principalmente na Emília-Romanha, onde o gado deve ser alimentado exclusivamente com capim e feno cultivados na região.
“Se não chove, o capim não cresce e, consequentemente, não conseguimos o leite necessário para fazer o queijo”, explicou um produtor local.
Para amenizar os efeitos do calor, muitos produtores têm instalado ventiladores e sistemas de nebulização de água, mas essas soluções resultaram em um aumento significativo nos custos de energia.
Os armazéns que armazenam as rodas de queijo durante o processo de maturação, que pode durar de 12 meses a mais de três anos, também estão enfrentando contas de energia mais altas.
Atualmente, mais de 500 mil rodas de Parmigiano Reggiano, avaliadas em mais de 300 milhões de euros, estão armazenadas em depósitos operados por uma unidade bancária local.
“Nos dias mais quentes, nosso consumo diário de energia aumentou cerca de 30%”, relatou um diretor dos armazéns.
Para melhorar a eficiência energética, as instalações têm passado por atualizações nos sistemas de refrigeração e caldeiras, além de melhorias no isolamento e aumento da produção de energia renovável.
Custos crescentes e preocupações futuras
Os armazéns climatizados da região, conhecidos como o “Banco do Parmigiano”, são responsáveis por garantir a qualidade do queijo. Cada roda passa por rigorosas inspeções, incluindo exames de raio X e testes auditivos para detectar falhas.
O fator humano continua sendo vital nesse processo, com especialistas inspecionando cada peça semanalmente.
Os produtores estão preocupados com o impacto dos eventos climáticos extremos, que podem afetar tanto a quantidade quanto a qualidade do leite, além de elevar os custos de produção.
“Se os eventos climáticos se tornarem mais frequentes, isso terá um grande impacto na nossa indústria”, alertou um representante do setor.
A indústria do Parmigiano Reggiano gera uma receita estimada em 4,5 bilhões de euros por ano, empregando milhares de pessoas e impulsionando a economia local.
Em 2025, as exportações representaram mais de 50% das vendas globais do queijo, com os Estados Unidos sendo o principal mercado externo.
“O Parmigiano Reggiano tem mais de 800 anos de história”, destacou um empresário do setor.
Os produtores manifestam o desejo de não serem a última geração a desfrutar desse queijo icônico.
