OpenAI planeja relançar IA de geração de vídeo Sora após sete meses de suspensão para o mercado de Hollywood
OpenAI considera reviver Sora como ferramenta para a indústria cinematográfica.
O Sora, uma vez referência em geração de vídeos por inteligência artificial, teve seu desenvolvimento interrompido em março deste ano. A decisão foi motivada pela necessidade de otimizar recursos computacionais em um cenário de forte concorrência, especialmente com empresas como a Anthropic e modelos chineses emergentes.
A OpenAI optou por concentrar esforços em produtos mais robustos, encerrando o Sora para economizar recursos. Um dos aspectos mais comentados dessa decisão foi um acordo de 1 bilhão de dólares com a Disney, que ilustra a importância estratégica do projeto.
Desde a descontinuação do Sora, o mercado de aplicativos de criação de vídeo com IA, especialmente os desenvolvidos por empresas chinesas, cresceu exponencialmente. Com produções inteiramente geradas por essa tecnologia já em andamento, a OpenAI visa não ficar à margem dessa evolução.
De acordo com informações recentes, a empresa está considerando reviver o Sora, mas com um foco diferente. Em vez de um produto para o consumidor final, a nova versão deve ser uma ferramenta de software e serviços voltada para a indústria cinematográfica.
A OpenAI está em negociações com uma startup de vídeo, cofundada por Bill Peebles, ex-responsável pela pesquisa do Sora, e Jeffrey Katzenberg, ex-presidente da Disney e fundador da DreamWorks. Essa colaboração busca desenvolver ferramentas específicas para o setor cinematográfico, embora o acordo ainda não esteja fechado.
A utilização do Sora como base tecnológica pela startup faz sentido, dado o histórico de Peebles. A presença crescente de criações geradas por IA no cinema e na televisão é um fenômeno que deve ser aceito, independentemente das opiniões divergentes sobre o assunto.
A série Stuart Fails to Save the Universe, da HBO, é um exemplo dessa nova realidade, com a indústria cada vez mais aberta ao uso de inteligência artificial. Comentários de figuras proeminentes, como o CEO da BBC, que elogiou um episódio de ‘Doctor Who’ gerado por IA, indicam que essa tecnologia já alcançou um nível comparável às produções de Hollywood.
Além disso, Ben Affleck, que possui uma empresa focada em IA para cinema, utilizou essa tecnologia em seu novo filme, refletindo uma tendência crescente entre os cineastas. A Lionsgate, por sua vez, já manifestou expectativas de economizar milhões em suas produções com o uso de IA.
Executivos da Amazon Prime Video também reconhecem a IA como uma ferramenta que “amplifica a imaginação”, uma visão compartilhada pela Netflix, que destacou a eficiência na produção de O Eternauta com o uso dessas tecnologias.
As ferramentas de IA oferecem uma oportunidade para os estúdios monetizarem catálogos ociosos. Propriedades intelectuais que não estão sendo utilizadas podem ser licenciadas para treinar modelos de IA, gerando receita sem necessidade de novos investimentos em produções.
Um exemplo disso é o acordo da Lionsgate com a Runway, que visa alimentar um modelo com 20.000 propriedades da companhia. Essa estratégia permite rentabilizar catálogos inativos sem a necessidade de ceder direitos a terceiros.
Entretanto, a questão financeira é complexa. A Disney, que anteriormente exigiu que suas obras não fossem utilizadas para treinar modelos de IA, acabou firmando um acordo com a OpenAI para essa mesma finalidade, evidenciando a dualidade de interesses na indústria.
Por outro lado, a perspectiva dos criadores de arte é bem diferente. Personalidades como Hayao Miyazaki, do Studio Ghibli, expressaram críticas contundentes à animação gerada por IA, considerando-a um “insulto à própria vida”. Guillermo del Toro também se manifestou contra essa tecnologia, refletindo a resistência de muitos profissionais da indústria.
A divisão entre executivos e criadores artísticos sobre o uso de IA é um tema central nas discussões atuais da indústria cinematográfica, especialmente em meio à recente greve em Hollywood. O debate sobre a substituição de postos de trabalho e as licenças utilizadas para treinar modelos de IA continua a ser um desafio significativo a ser resolvido.