Oposição e Amorim têm posições divergentes sobre tensões entre Brasil e EUA durante governo Trump
Deputados divergem sobre relações Brasil-EUA em comissão da Câmara.
Deputados da oposição e o assessor especial da presidência da República, embaixador Celso Amorim, tiveram um intenso debate na comissão da Câmara dos Deputados sobre os recentes atritos nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.
Amorim defendeu que as ações dos EUA contra o Brasil, como a recente tarifa imposta, são motivadas por interesses políticos. Ele argumentou que a administração Trump busca subordinar a América Latina aos interesses norte-americanos, desconsiderando a soberania dos países da região.
“O presidente Lula tem sido firme em reiterar que não aceitaremos que medidas unilaterais sejam utilizadas como pretexto para relativizar a soberania nacional ou impor constrangimentos econômicos para o nosso país”, destacou.
<pO embaixador também mencionou um vídeo divulgado pela diplomacia dos EUA, onde é afirmado que a dominação americana sobre a América Latina não deve ser questionada, evidenciando a tentativa de deslegitimar a soberania dos países latino-americanos, incluindo o Brasil.
“Quem tiver visto o vídeo que foi divulgado ontem pelo Departamento de Estado, e lido pelo embaixador dos EUA no Panamá, verá que o que se quer fazer justamente é relativizar a soberania dos países latino-americanos em geral. Inclusive, naturalmente, o Brasil”, completou.
Por outro lado, parlamentares da oposição tentaram atribuir ao governo brasileiro a responsabilidade pelas ações do governo Trump. O presidente da Comissão de Relações Exteriores, deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança, argumentou que a transformação do Brics em uma linha de frente anti-ocidental demonstra um padrão sistemático de anti-americanismo.
“A atual conversão do Brics em uma linha de frente anti-ocidental demonstra um padrão sistemático de anti-americanismo, que priorizou o debate retórico e a vaidade pessoal em detrimento do pragmatismo comercial estratégico do Estado brasileiro”, afirmou o parlamentar.
O Brics, que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, é frequentemente acusado de ser um grupo anti-ocidental, embora seus membros, como a Índia, tenham laços históricos com os EUA.
O deputado Luiz Philippe também solicitou que o governo brasileiro agilizasse a concessão do visto diplomático ao indicado pela Casa Branca para ser embaixador no Brasil. A demora na concessão do visto levou os EUA a cancelar o visto da embaixadora brasileira em Washington.
O deputado Marcel Van Hatten argumentou que o Brasil cometeu uma “agressão à soberania dos EUA” ao bloquear contas de empresas americanas em um caso envolvendo a rede social X, que não cumpriu decisões judiciais brasileiras.
“O que nós estamos vendo é uma agressão brasileira à soberania americana. Dizer que o tarifaço não tem relação com o que o Brasil está fazendo com os EUA é maquiar os fatos”, disse.
Amorim refutou a ideia de que os atritos com a Casa Branca são de natureza ideológica, afirmando que o Brasil está disposto a dialogar com qualquer governo, independentemente de suas posições políticas.
O embaixador também esclareceu que o governo brasileiro decidiu não conceder vistos diplomáticos a representantes estrangeiros até as eleições de outubro, considerando inadequada a divulgação do indicado para embaixador dos EUA antes da aceitação formal do pedido pelo Itamaraty.
Além disso, o governo brasileiro acredita que há uma tentativa de interferência de Trump nas eleições brasileiras.
Facções criminosas
O embaixador Celso Amorim foi convocado à Comissão de Relações Exteriores para discutir a recente decisão dos EUA de classificar as facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
Amorim explicou que essa medida não pode ser dissociada do contexto atual e pode servir como justificativa para intervenções externas no Brasil, incluindo ações militares.
“Não se pode ignorar que determinadas interpretações extremas da classificação como terrorista ou narcoterrorista já foram utilizadas para justificar operações de força em outros contextos internacionais”, disse.
Ele alertou que essa classificação pode ser manipulada geopoliticamente, comprometendo a soberania brasileira e permitindo ações militares por parte dos EUA.
O embaixador também se referiu