Pai do RenovaBio responde a Flávio Bolsonaro sobre etanol e critica defesa de combustíveis fósseis

Compartilhe essa Informação

Críticas de Flávio Bolsonaro sobre etanol geram reações no setor produtivo.

As declarações do candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, a respeito do aumento da mistura de etanol na gasolina provocaram uma resposta imediata do setor produtivo e do criador do RenovaBio, a política nacional para biocombustíveis.

Miguel Ivan Lacerda Oliveira, ex-diretor do Departamento de Biocombustíveis do Ministério das Minas e Energia e idealizador do RenovaBio, defendeu que o uso de biocombustíveis gera um efeito multiplicador em diversas áreas do agronegócio. Ele destacou que promover combustíveis fósseis não apenas desconsidera a questão climática, mas também prejudica a geração de renda para os brasileiros.

Oliveira, que também foi diretor do Instituto Nacional de Meteorologia, enfatizou que a ampliação do uso de energias renováveis na matriz energética do Brasil é estratégica. Segundo ele, essa mudança traz renda, desenvolvimento regional e reduz a dependência externa em situações de crises globais.

Recentemente, o CNPE aprovou uma resolução que eleva para 32% a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, válida por 180 dias, podendo ser prorrogada. Essa decisão visa mitigar os impactos da alta do petróleo, resultado de tensões geopolíticas, e atender às demandas da indústria nacional, que enfrenta dificuldades com preços baixos e estoques elevados.

Durante sua live semanal, Flávio Bolsonaro criticou a elevação da mistura de 30% para 32%, afirmando que a questão deve ser discutida em um possível mandato seu. Ele também atacou o governo atual, liderado por seu adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Bolsonaro comparou a situação econômica atual a produtos do dia a dia, alegando que tudo ficou menor, incluindo a gasolina, que, segundo ele, se tornou etanol. Essa retórica visa ilustrar sua insatisfação com a gestão do governo federal.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), junto com a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e outras entidades do setor, planejam divulgar um comunicado repudiando as declarações de Flávio Bolsonaro.

Dados da Unica indicam que a elevação para 32% na mistura de etanol poderia evitar a importação de 450 milhões de litros de gasolina anualmente. No plano de governo do candidato, apresentado recentemente, ele propôs aumentar os investimentos na produção de biocombustíveis para manter o Brasil como um líder global nesse mercado.

Na Agrishow deste ano, a união do agronegócio se concentrou em torno de Flávio Bolsonaro como candidato preferido. Durante o AgroTalk Show 2026, Paulo Junqueira, ex-presidente e atual secretário do Sindicato Rural de Ribeirão Preto, reiterou seu apoio a Bolsonaro, destacando a importância do etanol em vez da gasolina, justificando o custo mais alto do biocombustível pelos benefícios ambientais e seu impacto positivo na economia nacional.

Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia, também se manifestou a favor da candidatura de Flávio Bolsonaro, ressaltando a necessidade de uma aproximação entre o setor financeiro e o agronegócio.

Entretanto, aliados de Flávio Bolsonaro expressaram preocupação com sua compreensão sobre a questão dos biocombustíveis. Alguns comentaram que ele parece mal informado e que faltou uma melhor assessoria para esclarecer os pontos relevantes.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *