Países do Golfo responsabilizam Irã por crimes de guerra após morte de dois militares dos EUA
Conflitos entre EUA e Irã resultam em mortes e ataques em várias regiões do Oriente Médio.
Dois militares dos Estados Unidos perderam a vida em recentes ataques iranianos na Jordânia, conforme anunciado pelas autoridades americanas. Este incidente representa as primeiras baixas norte-americanas desde o início dos confrontos renovados entre Washington e Teerã, que recomeçaram em 7 de julho. Um terceiro militar está desaparecido, e os ataques, que envolveram mísseis e drones, ocorreram na última sexta-feira, segundo informações do Comando Central dos EUA.
Em meio a essa escalada de tensão, o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, fez uma declaração em que ameaça impor “lições inesquecíveis” aos Estados Unidos, uma mensagem veiculada pela televisão estatal iraniana. Khamenei também acusou Washington de violar repetidamente um memorando de entendimento assinado em junho, que visava interromper os confrontos, afirmando que a assinatura do acordo pelo presidente norte-americano não tem valor.
‘Crimes de guerra’: Kuwait acusa Irã de atacar infraestruturas civis
Em um desenvolvimento preocupante, o Irã atacou infraestruturas no Kuwait pelo segundo dia consecutivo. Desde o reinício das hostilidades, as ações de Teerã têm se concentrado em bases americanas nos países vizinhos do Golfo. As autoridades kuwaitianas relataram que os ataques atingiram uma instalação petrolífera considerada vital, interrompendo operações em várias unidades de uma usina elétrica e de dessalinização de água.
Com temperaturas atingindo 47 °C, o governo do Kuwait condenou os ataques, ressaltando que eles comprometem a vida e a segurança da população civil. O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), que reúne as monarquias petrolíferas da região, classificou as ações iranianas como “crimes de guerra”.
No Bahrein, explosões foram registradas em Manama após o acionamento de sirenes de alerta, e as Forças Armadas do país informaram que interceptaram uma nova onda de ataques iranianos.
Irã acusa EUA de atingir infraestrutura civil
No lado iraniano, autoridades da província de Hormozgan acusaram os Estados Unidos de destruir uma estação de bombeamento de água do mar e um transformador elétrico ligado a uma usina de dessalinização. O Exército norte-americano, por outro lado, declarou que atacou durante a noite diversos alvos, incluindo sistemas de vigilância e infraestruturas logísticas militares, sem mencionar alvos civis.
A ONU já classificou como “inaceitáveis” os ataques contra infraestruturas civis. O governo iraniano também acusou Washington de bombardear a rede elétrica do país e outras estruturas essenciais, alegando que essas ações resultaram em 50 mortes e mais de 500 feridos desde o final de junho.
Estreito de Ormuz volta ao centro da crise
A situação no Oriente Médio alcançou um nível de tensão sem precedentes desde o cessar-fogo de abril, que havia encerrado a guerra desencadeada pela ofensiva israelense e americana contra o Irã. Os incidentes marítimos no Estreito de Ormuz têm se multiplicado, e a reabertura da passagem para navegação comercial, uma conquista do acordo de junho, está em risco, com o tráfego praticamente paralisado.
A Guarda Revolucionária do Irã advertiu que os ataques continuarão até que a calma retorne à costa sul e ao Estreito de Ormuz, uma rota estratégica que antes do conflito era responsável por cerca de um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos. Os Estados Unidos restabeleceram o bloqueio aos portos iranianos, que havia sido suspenso após a assinatura do acordo.
Neste sábado, a Guarda Revolucionária afirmou ter impedido a passagem de quatro embarcações que tentavam cruzar o estreito sem autorização iraniana. Teerã também relatou que dois petroleiros atingiram minas na região, uma versão que foi negada pelo Exército dos EUA.
