Palestinos vão às urnas em eleições históricas no contexto da guerra em Gaza
Eleitores palestinos vão às urnas em meio a um clima de desânimo e incerteza política.
Os palestinos da Cisjordânia e de uma zona central de Gaza compareceram às urnas neste sábado (25) para eleger prefeitos e vereadores nas primeiras eleições desde o início do conflito armado, caracterizadas por um panorama político reduzido e desânimo entre os eleitores.
Cerca de 1,5 milhão de pessoas estavam registradas para votar neste pleito municipal na Cisjordânia, ocupada por Israel. Outras 70 mil pessoas puderam votar na área de Deir al Balah, em Gaza, conforme informações da Comissão Eleitoral Central.
A maioria das listas eleitorais estava alinhada com o partido Fatah, nacionalista e laico, liderado pelo presidente Mahmoud Abbas, ou concorria como independentes. Não havia listas vinculadas ao Hamas, o arquirrival do Fatah, que controla quase metade da Faixa de Gaza e cujo ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel desencadeou a guerra.
Na maioria das cidades, as candidaturas apoiadas pelo Fatah enfrentaram listas independentes lideradas por candidatos de grupos como a Frente Popular para a Libertação da Palestina. Mahmoud Bader, um empresário da cidade de Tulkarem, expressou seu desânimo, afirmando que as eleições não trariam mudanças significativas devido à ocupação israelense.
“Sejam candidatos independentes ou partidários, não tem nenhum efeito e não terá nenhum efeito nem benefício para a cidade”, opinou ele. “A ocupação [israelense] é quem governa Tulkarem. Seria apenas uma imagem exibida para a mídia internacional, como se tivéssemos eleições, um Estado ou independência”, disse ele.
Em muitas cidades, incluindo Nablus e Ramallah, sede da Autoridade Palestina, apenas uma lista foi apresentada, o que significa que será a vencedora automaticamente, sem necessidade de votação. As seções eleitorais na Cisjordânia permaneceram abertas das 7h às 21h locais, enquanto em Deir al Balah as urnas fecharam às 17h, para garantir que a apuração fosse feita sob a luz do dia devido à falta de eletricidade na região devastada pela guerra.
O coordenador da ONU, Ramiz Alakbarov, elogiou a comissão por organizar um “processo crível”. Ele destacou que as eleições representam uma oportunidade importante para que os palestinos exerçam seus direitos democráticos durante um período excepcionalmente difícil.
Gaza, controlada pelo Hamas desde 2007, realizou sua primeira votação desde as eleições legislativas de 2006, vencidas pelo movimento islamista. A Autoridade Palestina, liderada por Abbas, participou do pleito em Deir al Balah apenas como um “experimento” para avaliar seu próprio sucesso ou fracasso, considerando a ausência de pesquisas de opinião no pós-guerra.
Abbas, atualmente com 90 anos, está há mais de 20 no poder sem nunca ter sido reeleito, prometendo frequentemente eleições que não ocorreram. Deir al Balah foi escolhida para as eleições porque era um dos poucos lugares em Gaza onde a população permaneceu majoritariamente no local e não foi deslocada.
Farah Shath, de 25 anos, estava emocionada por votar pela primeira vez, afirmando que, apesar das dificuldades, a votação era uma confirmação da existência da população na Faixa de Gaza. A comissão eleitoral garantiu que recrutou pessoal de organizações da sociedade civil e contratou uma empresa de segurança privada para proteger os centros de votação em Gaza, embora a polícia do Hamas tenha insistido em garantir a segurança do processo eleitoral.
