Papa Leão XIV aborda inteligência artificial em seu primeiro ‘cartão de visitas’ ao completar um ano de pontificado

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Papa Leão 14 publica encíclica sobre dignidade humana na era da inteligência artificial.

Um ano após assumir o comando da Igreja Católica, o papa Leão 14 divulgou na manhã desta segunda-feira (25) a encíclica “Magnifica Humanitas”, que aborda a importância de proteger a dignidade humana em tempos de inteligência artificial.

As encíclicas são documentos fundamentais na tradição católica, servindo como cartas aos bispos e fiéis, onde o papa expõe sua doutrina. Com esta encíclica, Leão 14 não apenas expressa sua visão sobre tecnologia e dignidade humana, mas também sinaliza que esse tema será central em seu papado.

O vaticanista Filipe Domingues destaca que o documento é um apelo à defesa da dignidade humana, promovendo a verdade, justiça social e paz em meio a uma revolução tecnológica. Com 105 páginas, o texto reflete a preocupação do papa com o impacto da tecnologia na dignidade humana.

Leão 14 enfatiza que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta a serviço da humanidade, não como um substituto. Ele afirma que a humanidade, com todas suas complexidades, nunca deve ser superada pela tecnologia.

Na abertura do documento, o papa menciona a “escolha decisiva” que a humanidade enfrenta: construir uma nova Torre de Babel ou edificar uma cidade onde Deus e a humanidade coexistam. Essa metáfora reforça a necessidade de construir pontes em vez de muros, um tema caro ao seu antecessor, Francisco.

A encíclica dialoga com a “Rerum Novarum”, publicada por Leão 13, que abordou pela primeira vez a doutrina social da Igreja. Leão 14 argumenta que a tecnologia não é intrinsecamente negativa, mas deve ser utilizada de maneira ética e responsável, sempre visando o bem comum.

Além disso, o papa destaca a importância de reconhecer os direitos das minorias e a necessidade de promover igualdade de gênero, especialmente com a maior participação das mulheres em diversas esferas da sociedade.

Leão 14 critica a visão de que a guerra é uma ferramenta política, enfatizando que a paz deve ser um objetivo a ser construído, não apenas um intervalo entre conflitos. Ele também ressalta a importância de acolher imigrantes e refugiados, defendendo o “direito de permanecer” em suas terras com segurança.

O papa expressa preocupações sobre a concentração de poder tecnológico nas mãos de poucas empresas e defende a inclusão e a justiça no acesso a essas tecnologias. Ele argumenta que a revolução digital deve ser inclusiva e que a supervisão pública é essencial para garantir que a dignidade humana prevaleça sobre o lucro.

Leão 14 também se preocupa com o impacto da tecnologia sobre a cognição humana, alertando que a dependência excessiva de dispositivos pode afetar a capacidade de raciocínio e a interação social. Ele propõe que a inteligência artificial seja desenvolvida com um código de ética que priorize a justiça social e a responsabilidade.

A encíclica não se limita a discutir a tecnologia, mas também aborda a dignidade humana em um contexto mais amplo, incluindo a crítica a práticas como o aborto e a eutanásia, que o catolicismo considera moralmente erradas.

Leão 14 busca, assim, ser uma voz ativa em um mundo em transformação, propondo que a Igreja se posicione sobre questões contemporâneas, como a inteligência artificial, de forma a influenciar positivamente as relações sociais e políticas.

O papa conclui que a tecnologia deve ser utilizada para o bem comum e que a Igreja deve estar atenta aos desafios éticos que surgem com os avanços tecnológicos, reafirmando seu compromisso com a dignidade da pessoa humana.

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