Papa ouve clamores por liberdade em prisão africana enquanto Guiné Equatorial fecha acordo com Trump para deportação de imigrantes
Visita do papa Leão XIV à Guiné Equatorial destaca questões de direitos humanos e liberdade.
A turnê de quatro nações africanas do papa Leão XIV culminou em um evento impactante na Guiné Equatorial, onde o pontífice enfrentou uma forte tempestade para se reunir com multidões após discursar em uma prisão, onde os detentos clamavam por liberdade.
A Guiné Equatorial, frequentemente criticada por sua repressão, é governada por Teodoro Obiang Nguema Mbasogo desde 1979, tornando-se o presidente mais antigo do mundo. O país mantém relações próximas com os Estados Unidos, impulsionadas por suas vastas reservas de petróleo.
Durante sua visita, Leão, o primeiro papa dos EUA, adotou um estilo de discurso vigoroso, começando o dia com uma missa na maior igreja da África Central, localizada em Mongomo. Em seu sermão, ele abordou a desigualdade de riqueza, um tema relevante em um país onde muitos vivem na pobreza enquanto uma minoria desfruta de riquezas.
O papa visitou uma prisão em Bata, onde os detentos frequentemente são mantidos por longos períodos sem acesso a advogados, de acordo com organizações de direitos humanos. Durante sua visita, ele escutou os testemunhos de prisioneiros que se reuniram no pátio da instalação, mesmo sob a chuva que começou a cair.
Em um momento emocionante, os prisioneiros começaram a gritar “Liberdade, liberdade!” enquanto o papa pedia que fossem feitos esforços para permitir que eles tivessem oportunidades de estudar e trabalhar durante o encarceramento.
A Guiné Equatorial tem rejeitado há muito as acusações de abusos de direitos humanos. O ministro da Justiça, Reginaldo Biyogo Mba Ndong Anguesomo, afirmou que o país trata os prisioneiros de maneira justa, conforme padrões internacionais. Ele declarou: “Estamos comprometidos em garantir os direitos humanos, os direitos fundamentais e a cidadania”.
No ano anterior, o governo de Obiang firmou um acordo com a administração Trump para aceitar deportados de outros países, o que gerou preocupações entre ativistas sobre o tratamento desses indivíduos. Um grupo de 70 ONGs enviou uma carta ao papa, solicitando que ele pressionasse por um tratamento justo e humano para os deportados.
Embora Leão tenha atraído a atenção por suas críticas ao despotismo e à guerra, ele não abordou publicamente a situação dos deportados durante sua visita à Guiné Equatorial ou em Camarões, sua primeira parada na turnê.
