Para colonizar Marte, é essencial localizar materiais de construção em asteroides
Proposta inovadora sugere mineração de asteroides para construção em Marte.
Ainda sem bases na Lua, já existem planos para assentamentos em Marte, um desafio que demanda estratégias complexas. Recentemente, uma equipe de cientistas liderada pela engenheira aeroespacial Serena Suriano apresentou uma proposta que visa superar a escassez de materiais para construção no Planeta Vermelho.
Um dos principais obstáculos enfrentados por construtores espaciais é a falta de metais adequados. Para resolver essa questão, a proposta sugere a extração de recursos do cinturão de asteroides, onde existem asteroides metálicos que poderiam ser minerados para obter materiais essenciais, como o molibdênio.
Desafios da mineração espacial
Entretanto, a viagem até os asteroides não é simples. A manobra orbital necessária para sair de Marte, alcançar o asteroide e retornar é complexa. Os cientistas acreditam que esse desafio pode ser contornado com paradas estratégicas durante a missão.
Uma espaçonave imaginária
Para suas simulações, os cientistas utilizaram uma espaçonave imaginária, semelhante à Starship da SpaceX, considerada a mais poderosa atualmente. Essa espaçonave hipotética teria um peso de 120 toneladas, capacidade de carga de 115 toneladas e 1.100 toneladas de combustível, exigindo um delta-v de 6,4 km/s para suas manobras.
Definindo o delta-v
Delta-v é a medida do esforço necessário para realizar uma manobra orbital, representando a variação de velocidade que pode ser alcançada com o combustível disponível. Para atingir os asteroides metálicos, seria necessário um delta-v de 10 a 12,8 km/s, considerando as rotações orbitais requeridas.
Um plano com paradas
A solução proposta pelos cientistas envolve um plano com duas paradas. A primeira seria no asteroide metálico, onde os materiais seriam extraídos. Na viagem de volta, a espaçonave faria uma parada em um asteroide do tipo C, que contém voláteis como água e hidrocarbonetos, facilitando a produção de propelente in situ.
Dessa forma, o asteroide do tipo C funcionaria como um posto de gasolina, utilizando seus recursos para continuar a viagem. Com essa estratégia, seria possível obter os metais necessários com um delta-v de 6,4 km/s.
Oportunidades de mineração
Entre 2040 e 2060, existem 22 pares de asteroides metálicos e do tipo C que poderão ser explorados. Isso representa mais de 20 oportunidades de mineração e reabastecimento para transportar metais a Marte, com um total estimado de 200 toneladas de metal disponíveis nesse período.
Embora essa quantidade possa parecer pequena, a otimização do combustível é crucial. O processo de carregamento de propelente in situ ocorre a uma taxa de 2 kg por dia, o que tornaria inviável encher completamente o tanque, exigindo ajustes na carga útil.
Alinhamento orbital
Para que as viagens sejam viáveis, as órbitas de Marte e dos asteroides devem estar corretamente alinhadas, o que acontece a cada poucos anos. Isso limita o número de viagens possíveis e torna a construção de uma base um processo demorado.
Alternativas de propulsão
Se a propulsão química fosse substituída por propulsão solar ou nuclear, a extração de metais de asteroides poderia ser facilitada, reduzindo os prazos. Contudo, a equipe baseou seus cálculos na tecnologia atualmente disponível. No futuro, é possível que as viagens se tornem mais rápidas.
Ainda assim, a construção de uma base em Marte será um processo prolongado, que poderá levar várias gerações para ser concluído.
