Pecuária brasileira sob suspeita de trabalho forçado: EUA sugerem aumento de tarifas
Relatório dos EUA critica a pecuária brasileira e propõe tarifas adicionais.
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sugere que o Brasil, junto a outros 53 países, enfrente tarifas adicionais de 12,5%. Seis economias devem ser taxadas em 10%. A aplicação dessas tarifas e sua relação com taxas já existentes ainda não estão claras.
O relatório menciona que “pesquisas independentes” indicam que pecuaristas brasileiros estão na “Lista Suja”. O governo brasileiro e associações do setor ainda não se manifestaram sobre as alegações feitas no novo relatório.
Os EUA estão em fase de consulta pública sobre as medidas propostas, com uma audiência marcada para o dia 7 de julho.
“O fracasso dos nossos parceiros comerciais mais importantes em abordar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado é inaceitável”, afirmou o representante-geral de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
Greer destacou que os EUA não tolerarão mais a disparidade no comércio global e que alguns parceiros já tomaram medidas contra a importação de produtos com trabalho forçado. A investigação abrangeu quase todos os parceiros comerciais dos EUA, abrangendo mais de 99% das importações do país.
Os países investigados foram todos condenados e recomendados para tarifas retaliatórias. Entre eles estão economias desenvolvidas como a União Europeia, Reino Unido, Japão e Israel. Seis países, incluindo o Canadá e a União Europeia, devem enfrentar uma taxação de 10% devido a falhas na fiscalização contra o trabalho forçado.
O anúncio americano surge pouco antes da expiração de uma tarifa de 10% imposta pela Casa Branca após uma decisão da Suprema Corte que invalidou uma tarifa anterior proposta pelo ex-presidente Donald Trump. Críticos afirmam que os EUA estão buscando novas formas de manter tarifas elevadas sob novos pretextos.
“Como o tribunal considerou o regime tarifário [de Trump] ilegal, acho que está claro que os EUA estão buscando outras maneiras de restabelecer essa barreira tarifária”, comentou Todd McClay, ministro do Comércio da Nova Zelândia.
O USTR concluiu uma investigação que aponta práticas comerciais do Brasil como “irrazoáveis” e que restringem o comércio dos EUA. O Brasil é um dos 59 países com menção específica no relatório, sendo citado 19 vezes em um documento de 98 páginas.
“O USTR constatou que o Brasil não impôs nem aplicou efetivamente uma proibição de importação de produtos com trabalho forçado”, diz o relatório.
O documento critica a falha do Brasil em proibir a importação de produtos associados ao trabalho forçado, o que é considerado “irrazoável” e prejudicial ao comércio dos EUA.
O Brasil é mencionado em um estudo de caso sobre a produção de carne bovina, ao lado de exemplos de importação de arroz de Mianmar e tabaco do Malauí. O relatório afirma que o trabalho forçado é bem documentado na produção de gado no Brasil.
As exportações agrícolas dos EUA são impactadas, já que ambos os países exportam carne bovina congelada para a China, onde o Brasil tem ganhado preferência. De 2015 a 2025, as exportações de carne bovina do Brasil para os países investigados quase dobraram, enquanto as dos EUA aumentaram apenas 21%.
“Os efeitos negativos da concorrência com produtos provenientes de trabalho forçado sobre as exportações dos EUA não se limitam a bens manufaturados, podendo também afetar negativamente as exportações agrícolas americanas”, conclui o relatório.
O documento ressalta que, embora nem todas as importações de carne bovina do Brasil sejam produzidas com trabalho forçado, a prevalência dessa prática sugere que parte delas pode ter origem nessa condição.
Quais países estão na lista junto com o Brasil?
As conclusões da investigação indicam que todos os países analisados falharam em impor uma proibição legal à importação de bens produzidos com trabalho forçado.
Os países listados pelo USTR incluem:
- África
