Pedidos de recuperação judicial no setor agro caem no segundo trimestre após três anos de alta

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Queda nos pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro é registrada no segundo trimestre de 2026.

O agronegócio brasileiro apresentou uma redução significativa nos pedidos de recuperação judicial, totalizando 448 solicitações no segundo trimestre de 2026. Este número representa uma diminuição de 20,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Esta foi a primeira queda observada em um segundo trimestre desde 2022, conforme análise de dados do setor. O indicador abrange pedidos realizados tanto por produtores rurais atuantes como pessoa física quanto jurídica, além de empresas da cadeia produtiva do agronegócio.

Os dados também revelam uma retração em relação aos três primeiros meses de 2026, quando foram registrados 474 pedidos, uma queda de 5,5%. Essa diminuição, embora positiva em meio ao atual cenário de endividamento, deve ser interpretada com cautela, segundo especialistas da área.

Marcelo Pimenta, especialista em agronegócio, destacou que a redução nos pedidos pode estar atrelada a uma maior entrada de receitas para alguns produtores, influenciada pela sazonalidade das atividades agropecuárias e pelo avanço nas renegociações com credores. Ele enfatizou a importância de monitorar se essa tendência de queda se manterá nos próximos trimestres, já que o ambiente econômico continua desafiador, com custos elevados e acesso ao crédito mais restrito.

O estado de Mato Grosso, que é o principal produtor de grãos, oleaginosas e gado do Brasil, liderou o número de pedidos de recuperação judicial, com 107 registros. Na sequência, Goiás registrou 84 pedidos, seguido por São Paulo (72), Minas Gerais (54) e Paraná (42).

Em termos de atividades, o cultivo de soja, que é a principal cultura do país, concentrou 70 solicitações de recuperação judicial, seguido pela criação de bovinos, que contabilizou 28 pedidos. Observou-se também que os pedidos de recuperação judicial feitos por produtores rurais como pessoa física caíram 10,5% em comparação ao segundo trimestre de 2025, totalizando 197. Já as solicitações feitas por pessoas jurídicas recuaram 34,2%, somando 160.

Na análise por porte, os produtores classificados como “sem propriedades”, que incluem arrendatários, concentraram 70 pedidos. Os grandes proprietários seguiram com 51 solicitações, enquanto os pequenos e médios apresentaram 39 e 37 pedidos, respectivamente.

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