Pesquisa científica revela dois tipos de autismo: um com hiperconectividade cerebral e outro com hipoconectividade

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Estudo revela subtipos biológicos distintos do autismo, potencializando diagnósticos e tratamentos personalizados.

Um estudo internacional abrangente trouxe à luz a possibilidade de que o autismo inclua pelo menos dois subtipos biológicos, cada um com padrões de comunicação cerebral distintos.

É importante ressaltar que cada indivíduo autista apresenta um conjunto único de necessidades e desafios. A identificação desses subtipos pode ser um avanço significativo na busca por diagnósticos mais precisos e tratamentos adaptados às particularidades de cada pessoa.

A pesquisa foi realizada por cientistas de instituições renomadas, que analisaram ressonâncias magnéticas funcionais de 940 crianças e jovens adultos autistas, em comparação com mais de mil indivíduos neurotípicos. Além disso, foram estudados 20 modelos de camundongos geneticamente modificados para entender os mecanismos biológicos subjacentes às alterações observadas.

Os resultados revelaram dois grupos principais. O primeiro grupo apresentou hipoconectividade, caracterizada por uma comunicação reduzida entre diferentes regiões do cérebro, associada a alterações nas sinapses, que são essenciais para a transmissão de informações neuronais.

O segundo grupo, por sua vez, demonstrou hiperconectividade, com uma comunicação excessiva entre determinadas áreas cerebrais, correlacionada a mecanismos do sistema imunológico.

Esses dois subtipos juntos representam cerca de 25% dos indivíduos com autismo incluídos na pesquisa.

Uma inovação do estudo foi a combinação de análises em humanos com experimentos em modelos animais. Os testes realizados com camundongos permitiram identificar alterações genéticas e moleculares associadas aos diferentes padrões de conectividade cerebral, que foram então comparadas com os exames de imagem dos participantes humanos.

Os padrões observados nos camundongos foram também identificados nos indivíduos autistas, reforçando a hipótese de que esses subtipos têm bases biológicas distintas. Além disso, as análises de expressão gênica mostraram que as regiões com hipoconectividade tinham maior atividade de genes relacionados às sinapses, enquanto aquelas com hiperconectividade estavam ligadas a genes do sistema imunológico.

Compreender essas diferenças é fundamental para elucidar as variadas manifestações do autismo. Embora as avaliações clínicas tradicionais tenham mostrado diferenças modestas entre os grupos, aqueles com hiperconectividade tendiam a ter pontuações levemente mais altas nas escalas de gravidade do transtorno.

Os pesquisadores acreditam que exames que avaliem a atividade cerebral podem fornecer informações adicionais que as avaliações comportamentais não conseguem capturar por si só.

Os autores do estudo destacam que esses dois subtipos podem representar apenas uma fração da diversidade biológica do transtorno do espectro autista. Com o aumento dos conjuntos de dados e novas investigações, é possível que outros padrões venham a ser identificados no futuro.

O objetivo final é que essas descobertas levem a uma abordagem de medicina de precisão, onde diagnósticos e intervenções sejam adaptados com base nos mecanismos biológicos predominantes em cada indivíduo, em vez de se basearem apenas nos sinais comportamentais observados.

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