Pesquisa do iFood revela que cultura organizacional é a primeira a ser sacrificada na busca por metas empresariais
A pesquisa revela que a cultura organizacional é frequentemente sacrificada em prol de metas.
A cultura organizacional é reconhecida como um motor essencial para os resultados das empresas, mas, paradoxalmente, é a primeira a ser sacrificada quando a pressão por metas se intensifica. Essa é uma das principais conclusões da pesquisa “Cultura na Prática”, que analisou a percepção de 1.406 profissionais de empresas com cem ou mais funcionários em todo o Brasil.
Embora 89% dos entrevistados reconheçam que organizações com uma cultura forte tendem a obter melhores resultados, 58% afirmam que essa cultura é a primeira a ceder quando as metas se tornam desafiadoras. O estudo abrangeu profissionais de diversos níveis hierárquicos, desde analistas até diretores e executivos de alto escalão.
Entre aqueles que afirmam conhecer a cultura da própria empresa, apenas 36% relatam que ela é praticada de forma consistente. Essa discrepância revela que a cultura organizacional se manifesta de maneira mais clara em momentos de crise, quando as empresas precisam decidir quais valores manter.
Outra descoberta significativa é que, entre 600 diretores e gerentes consultados, 65% indicam que ações voltadas para o bem-estar e capacitação são frequentemente as primeiras a serem cortadas em tempos de pressão. Além disso, 41% dos líderes admitem que abrem mão de aspectos importantes da cultura para alcançar as metas estabelecidas.
Percepções divergentes entre os níveis hierárquicos
A percepção da cultura organizacional varia consideravelmente conforme o nível hierárquico. Entre os diretores e executivos, 60% afirmam que a cultura é praticada de forma consistente, enquanto essa porcentagem cai para 45% entre gerentes, 32% entre coordenadores e supervisores, e apenas 23% entre analistas e especialistas. Essa diferença na percepção sugere uma desconexão entre a alta gestão e a base da organização.
Além disso, 60% dos profissionais acreditam que o discurso e a prática da cultura se distanciam mais na alta e média gestão. Os próprios líderes são críticos em relação à alta gestão, com 44% expressando insatisfação. A análise também revela um problema horizontal, com 55% dos participantes apontando falhas nas relações entre áreas e colegas.
Dos entrevistados que conhecem a cultura da empresa, 57% não a veem como uma estratégia central. Apenas 43% acreditam que a cultura realmente orienta as decisões de diretoria, produto e receita, enquanto 40% a consideram relevante apenas para o clima organizacional. A pesquisa revela que onde a cultura é percebida como uma estratégia central, 58% concordam que a empresa obtém melhores resultados, em comparação com 45% onde isso não é reconhecido.
O papel do departamento de Recursos Humanos (RH) é crucial nesse contexto. Somente 43% dos diretores e gerentes afirmam que o RH participa sempre das decisões estratégicas antes de sua implementação. Entre aqueles que afirmam que o RH está sempre presente, 92% acreditam que a área contribui significativamente para os resultados da empresa.
A cultura organizacional e a atração de talentos
A negligência em relação à cultura organizacional pode ter um alto custo na atração e retenção de talentos. Para 79% dos entrevistados, o conhecimento sobre a cultura de uma empresa e sua prática influencia suas decisões de carreira. Além disso, 73% já tomaram decisões concretas, como recusar uma oferta de trabalho ou pedir demissão, baseadas na cultura percebida. A influência da cultura é ainda mais forte entre aqueles que a veem praticada de forma consistente, atingindo 89% de concordância.
É fundamental que as empresas comuniquem claramente suas decisões e a direção em que estão indo, para que os colaboradores compreendam como isso afeta suas carreiras.
A inteligência artificial como oportunidade e desafio
A pesquisa também aborda a relação entre a inteligência artificial (IA) e a cultura organizacional. A maioria dos profissionais, 71%, se diz familiarizada com ferramentas de IA, e 45% as utilizam várias vezes ao dia. Apesar disso, o acesso a essas ferramentas é desigual, com 57% dos entrevistados trabalhando em empresas que incentivam seu uso, enquanto 28% afirmam que a empresa apenas incentiva, mas não fornece as ferramentas necessárias.
Entre os líderes, 70% esperam ser cobrados para integrar a IA em suas equipes, mas apenas 25% se sentem