Pesquisa revela que desinformação sobre eleições foca em urnas eletrônicas
Urnas eletrônicas completam 30 anos no Brasil em meio a desinformação sobre seu funcionamento.
Nesta quarta-feira (13), as urnas eletrônicas no Brasil celebram três décadas de uso, um marco significativo que ocorre em um contexto de crescente desinformação sobre o sistema de votação.
Uma análise recente revela que mais de 45% das informações falsas relacionadas às eleições nos últimos ciclos eleitorais focaram no funcionamento das urnas eletrônicas. Essa desinformação não se limita apenas a críticas ao sistema, mas também se estende a ataques a instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF).
Além disso, teorias sobre fraudes na apuração dos votos e informações incorretas sobre as regras e logística eleitoral também têm circulado, com percentuais significativos. Isso reflete uma preocupação com a integridade do processo democrático.
Entre os exemplos mais comuns de desinformação estão alegações de atrasos no botão “confirma” e a falsa noção de que a urna preenche automaticamente os números digitados pelo eleitor, gerando confusão e desconfiança no sistema.
De acordo com especialistas, os conteúdos desinformativos aproveitam o desconhecimento técnico da população sobre como funciona a tecnologia eleitoral. Isso cria um terreno fértil para a propagação de narrativas enganosas.
As narrativas frequentemente utilizam explicações técnicas falsas para insinuar falhas e manipulações, explorando elementos da experiência de votação para gerar dúvidas e estranhamento entre os eleitores.
A falta de familiaridade da população com as urnas, que são utilizadas apenas a cada dois anos, contribui para a dificuldade de verificação das informações. Isso significa que, quando surgem notícias falsas sobre o funcionamento dos equipamentos, muitos eleitores não têm como confirmar rapidamente sua veracidade.
O estudo realizado busca entender as raízes da desconfiança nas eleições e desenvolver estratégias para combater a desinformação, visando o próximo pleito em 2026.
O levantamento revelou que a maior parte da desinformação está relacionada às urnas eletrônicas, e o objetivo é estar preparado para responder a essas narrativas e proteger a integridade do sistema eleitoral.
A pesquisa analisou mais de 3 mil conteúdos publicados durante as eleições de 2022 e 2024, selecionando 716 mensagens para uma análise qualitativa aprofundada. Os resultados mostraram que 326 dessas mensagens, representando mais de 45% do total, continham ataques diretos às urnas eletrônicas.
O Pacto pela Democracia, uma coalizão de mais de 200 organizações da sociedade civil, se dedica à defesa do Estado Democrático de Direito e ao monitoramento de ameaças à democracia, incluindo a desinformação eleitoral. O estudo focou nas mensagens que circularam durante os pleitos de 2022 e 2024.
Confiança
Uma pesquisa recente indica que 53% dos brasileiros confiam nas urnas eletrônicas. Em comparação, um levantamento anterior apontava um índice de 82% de confiança em 2022.
Entre os mais velhos, 53% afirmam confiar no sistema, um índice que reflete a memória do tempo em que o voto era em papel. Para os jovens entre 16 e 34 anos, a confiança é um pouco maior, alcançando 57%.
No grupo de 35 a 50 anos, 50% expressam desconfiança em relação às urnas eletrônicas, o que aponta para uma divisão geracional em relação à percepção do sistema.
A crítica às urnas não se limita a uma simples insatisfação, mas envolve explicações complexas que buscam convencer a população sobre a ineficácia do sistema. Isso ressalta a importância de tornar o processo de votação mais compreensível para todos os eleitores.