Pesquisadores criam ciborgue a partir de criatura repulsiva para nova força de trabalho na ciência
Baratas ciborgues são desenvolvidas para inspecionar infraestrutura subterrânea.
Pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, estão inovando com uma tecnologia que utiliza baratas ciborgues para inspecionar tubulações e sistemas subterrâneos. Essas criaturas são equipadas com módulos eletrônicos que funcionam como uma “mochila robótica”.
O sistema eletrônico envia sinais elétricos suaves, permitindo que os cientistas controlem a direção das baratas. Essa capacidade é especialmente útil em espaços apertados, onde robôs convencionais ou humanos não conseguem acessar.
O projeto é liderado pelo professor Hirotaka Sato, um especialista em insetos ciborgues. Ele já havia demonstrado anteriormente o voo controlado remotamente de um besouro modificado. O desenvolvimento dessas baratas continua, com vídeos do progresso sendo disponibilizados.
Baratas que puxam equipamentos em túneis
A nova geração de baratas ciborgues avançou para além do controle remoto. Agora, elas são capazes de puxar pequenos equipamentos sobre rodas, como câmeras, lanternas e baterias.
Esses dispositivos são arrastados pelas baratas em tubulações, galerias de infraestrutura e sistemas de esgoto, permitindo a captura de imagens e a detecção de falhas estruturais.
Uma das principais vantagens é que as baratas evoluíram para se mover em ambientes estreitos, o que, combinado com o controle eletrônico, resulta em um sistema de inspeção altamente eficaz.
Os pesquisadores também melhoraram a eficiência do equipamento, com a nova versão consumindo 25% menos energia elétrica, o que aumenta a duração da bateria.
De desastres naturais para manutenção urbana
A tecnologia foi inicialmente testada em situações de desastre. Em 2025, baratas modificadas foram enviadas a Mianmar após um terremoto de magnitude 7,7, onde ajudaram a procurar sobreviventes utilizando câmeras infravermelhas.
Atualmente, o foco do projeto se deslocou para aplicações mais cotidianas, como a manutenção de infraestruturas urbanas envelhecidas.
Os cientistas também otimizaram o processo de preparação dos insetos; a instalação do módulo eletrônico, que antes levava cerca de uma hora, agora pode ser realizada em pouco mais de um minuto, permitindo uma produção em maior escala.
Apesar dos avanços, os pesquisadores enfatizam que o projeto possui uma finalidade civil, voltada para engenharia e monitoramento urbano. Após suas tarefas, as baratas permanecem vivas e são mantidas em ambientes controlados, recebendo alimentação diária, geralmente composta por folhas de alface fresca.
