Pesquisadores desenvolvem material que armazena eletricidade a partir de sobras de ovo e arroz, resistente a 10 mil cargas
Pesquisadores chineses desenvolvem material inovador para armazenamento de energia a partir de ovo e arroz.
O ovo e o arroz, ingredientes comuns na culinária, podem ter um futuro promissor na indústria de armazenamento de energia. Pesquisadores da Universidade de Henan, na China, descobriram que esses alimentos podem ser transformados em um dispositivo capaz de armazenar e liberar energia.
Os alimentos são compostos por proteínas, carboidratos e outros compostos orgânicos que contêm carbono. Com o tratamento adequado, como a aplicação de calor, é possível modificar sua estrutura molecular, resultando em materiais com propriedades inovadoras.
No experimento, foi utilizada uma mistura de gema de ovo e arroz residual na proporção de 1:1, denominada YPAC-1. A amostra apresentou uma estrutura tridimensional semelhante a um favo de mel, repleta de microporos e mesoporos, que potencializam suas propriedades.
Essa disposição aumenta significativamente a superfície específica do material, alcançando 1.572,1 metros quadrados por grama. Quanto maior a superfície, maior a interação dos íons com o material, o que se traduz em uma capacidade de armazenamento de carga superior, atingindo uma capacitância específica de 446,22 farads por grama.
Diferentemente das baterias convencionais, que armazenam energia por meio de reações químicas, o material criado a partir da mistura de ovo e arroz funciona como um supercapacitor. Este tipo de dispositivo armazena energia de forma eletrostática, acumulando carga na interface entre um eletrodo e um eletrólito, sendo a interação dos íons um fator crucial para a eficiência do armazenamento.
Após a validação das propriedades como supercapacitor, os pesquisadores testaram a durabilidade do material. Os resultados foram notáveis: após 10.000 ciclos de carga e descarga, o composto manteve 82,26% de sua capacitância inicial, demonstrando uma resistência impressionante em condições controladas de laboratório.
Esse experimento representa um avanço significativo na reutilização de resíduos alimentares como matéria-prima para a produção de carbono poroso destinado ao armazenamento de energia. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer até que esses resultados promissores se tornem produtos comercializáveis em larga escala. Atualmente, o estudo se apresenta como uma prova de conceito limitada a ensaios científicos.