Péter Magyar assume liderança na Hungria e declara libertação do país

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Vitória histórica de Péter Magyar marca uma nova era política na Hungria.

O conservador pró-europeu Péter Magyar conquistou, neste domingo, 12, as eleições legislativas na Hungria, obtendo uma supermaioria no Parlamento. Essa vitória lhe confere a liberdade necessária para desmantelar o sistema que foi estabelecido pelo nacionalista Viktor Orbán, que reconheceu sua derrota após 16 anos no poder.

“Nós libertamos a Hungria”, declarou Magyar em um palco montado às margens do Danúbio, em meio a uma celebração vibrante.

Dezenas de milhares de apoiadores do partido Tisza se reuniram em Budapeste, agitando bandeiras húngaras e dançando, enquanto buzinas ecoavam pela capital, em um clima de euforia.

“Juntos derrotamos o regime de Orbán”, afirmou Magyar, ressaltando a importância da conquista. “Libertamos a Hungria, recuperamos nossa pátria.”

Com 98,15% das seções eleitorais apuradas, o Tisza obteve 138 dos 199 assentos no Parlamento, garantindo 53,56% dos votos. Em contraste, o partido Fidesz, de Orbán, conquistou apenas 55 assentos, com 37,86% dos votos.

A participação nas eleições alcançou um recorde de 79,50%, impulsionada por uma mobilização significativa em cidades médias e entre os jovens, conforme análises de especialistas.

Antes do anúncio oficial dos resultados, Orbán reconheceu a derrota, descrevendo os resultados como “dolorosos, mas inequívocos”, e parabenizou o partido vencedor.

“Derrota para o autoritarismo”

A derrota de Viktor Orbán, que transformou a Hungria em um modelo de democracia iliberal, representa um revés para movimentos nacionalistas e de extrema-direita globalmente.

Esse cenário é particularmente relevante para o campo MAGA do ex-presidente dos Estados Unidos, que havia enviado o vice-presidente JD Vance para apoiar Orbán na reta final da campanha, criticando a interferência da União Europeia.

Analistas destacam que essa derrota é um sinal claro contra o autoritarismo, com repercussões que vão além das fronteiras da Hungria. É também um golpe para aqueles que viam o modelo de Orbán como um exemplo a ser seguido, incluindo figuras como Donald Trump.

Com o aumento das tensões internacionais, a percepção de Trump como um garantidor de estabilidade se torna mais complexa, já que muitos o veem como um fator de incerteza no cenário global.

Líderes europeus, como o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz, felicitaram Magyar, enquanto o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, fez referência à proximidade de Orbán com Vladimir Putin, clamando em húngaro: “Russos, voltem para casa”.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou a escolha da Hungria pela Europa, sinalizando uma mudança nas relações entre o país e a União Europeia.

Embora Bruxelas tenha evitado declarações antes da votação, um diplomata europeu indicou que a maioria dos Estados-membros está satisfeita em se livrar de Orbán, cuja paciência havia chegado ao limite devido ao uso frequente do direito de veto para bloquear políticas europeias.

Magyar, ex-aliado de Orbán, conseguiu em dois anos construir um movimento forte o suficiente para derrotar o primeiro-ministro, mesmo diante de um sistema eleitoral que favorecia Orbán e do controle de mais de 80% dos meios de comunicação por seus aliados.

Após votar em Budapeste, Orbán se declarou otimista, ressaltando suas conexões internacionais, do Ocidente ao Oriente.

Magyar, por sua vez, comprometeu-se a melhorar os serviços públicos, com foco em saúde e educação, e prometeu ser um membro leal da União Europeia, embora mantenha a oposição ao envio de armas à Ucrânia.

“Sinto-me fantasticamente bem. Finalmente nos livramos deste sistema, e já era hora”, comemorou Zoltán Sziromi, um estudante de 20 anos, em meio à multidão de apoiadores de Magyar.

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