Petróleo dispara quase 4% e alcança maior nível em quatro semanas após crise no Estreito de Ormuz
Proposta de pedágio dos EUA em Ormuz gera controvérsias e eleva preços do petróleo.
Os preços do petróleo dispararam nesta terça-feira (14), alcançando os níveis mais altos em aproximadamente quatro semanas, em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã.
O mercado está em alerta, temendo que o conflito possa afetar o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo.
Por volta das 7h50 (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent, referência internacional, subiu 4,48%, alcançando US$ 87,03. O WTI, referência nos EUA, avançou 3,46%, atingindo US$ 80,84.
Esses preços marcam o maior patamar desde 12 de junho para o Brent e desde 16 de junho para o WTI, antes da assinatura de um memorando de entendimento entre EUA e Irã, que visava a redução das hostilidades. Na segunda-feira (13), os preços quase subiram 10% devido à escalada das tensões no Oriente Médio.
O aumento nos preços do petróleo é consequência do restabelecimento de um bloqueio naval ao Irã pelo governo do presidente, além de uma intensificação dos ataques militares contra o país, mesmo após um acordo que buscava a paz.
Analistas indicam que o mercado está começando a considerar o risco de que o acordo entre os dois países não se mantenha.
Motivos para a alta do petróleo
O principal fator que impulsiona a alta dos preços é o receio de interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã.
Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo transitavam por essa rota estratégica.
Recentemente, a região tem visto um aumento das preocupações dos investidores devido a vários eventos, como:
- a retomada do bloqueio à navegação iraniana pelos EUA;
- a proposta do governo americano de cobrar uma taxa de 20% para proteger embarcações que cruzam o estreito;
- ataques a dois navios-tanque dos Emirados Árabes, resultando em um morto e oito feridos;
- uma queda no número de petroleiros atravessando o Estreito de Ormuz, que é a menor em dois meses.
De acordo com analistas, se as interrupções persistirem, o petróleo poderá se manter entre US$ 85 e US$ 90 por barril nas próximas semanas.
Com a alta do petróleo, os custos de combustíveis e transporte aumentam em diversos países, o que pode impactar o preço de produtos e serviços, pressionando a inflação.
Nos EUA, essa preocupação se intensifica no momento em que investidores aguardam a divulgação dos dados de inflação de junho. O receio é que uma nova alta nos preços de energia dificulte as ações do Federal Reserve em controlar a inflação.
Além disso, declarações recentes de dirigentes do Fed indicam que as taxas de juros podem permanecer elevadas ou até aumentar novamente se a inflação continuar acima da meta.
Desempenho das bolsas asiáticas e futuros dos EUA
A alta do petróleo também teve impacto nos mercados financeiros nesta terça-feira.
Na Ásia, as bolsas fecharam, em sua maioria, em alta. O índice de Xangai na China subiu 1,36%, enquanto o CSI300, que inclui as maiores empresas de Xangai e Shenzhen, avançou 2,15%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng registrou alta de 0,52%.
No Japão, o índice Nikkei fechou com um ganho de 0,74%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,73%. Em Cingapura, o Straits Times aumentou 0,43%. Por outro lado, a bolsa de Taiwan caiu 1,42%, e a australiana encerrou o dia praticamente estável.
Na China, o otimismo dos investidores foi impulsionado por um aumento de 27% nas exportações em junho, em comparação anual, beneficiado pela forte demanda global por chips e equipamentos de inteligência artificial.
As ações do setor de energia se destac
