PF aponta que Mineiro organizou esquema para movimentação de dinheiro ilícito do Master
Polícia Federal investiga Antônio Carlos Freixo Júnior por suposto envolvimento em esquema financeiro ilícito.
A Polícia Federal está aprofundando as investigações sobre Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, que é acusado de ter criado uma estrutura empresarial para gerenciar parte do fluxo financeiro ilícito proveniente do Banco Master. A informação foi revelada na representação da PF no inquérito 5070, que teve seu sigilo retirado recentemente pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.
Freixo firmou um acordo de colaboração premiada, homologado em 9 de setembro, com a Procuradoria Geral da República. A estrutura investigada pela PF envolve empresas como a Entre Investimentos e Participações Ltda., a Entrepay Instituição de Pagamentos S.A., e a Cactus Assessoria e Serviços Ltda. A análise da PF se baseou em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) que identificou 168 comunicações de operações suspeitas entre janeiro de 2019 e maio de 2026.
O RIF foi gerado após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detectar indícios de lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados. As transações analisadas incluem movimentações financeiras que levantaram suspeitas sobre os principais envolvidos no caso.
FINANCIAMENTO DE “DARK HORSE”
A Entre Investimentos, de Freixo, também está ligada ao financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a PF, a empresa foi utilizada para transferir recursos ao Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos, gerido por indivíduos associados a figuras políticas relevantes.
O Banco Master teria investido aproximadamente R$ 614 milhões em empresas do Grupo Entre, e a PF acredita que a escolha da Entre como canal para remessas internacionais foi intencional. Em comunicações interceptadas, orientações foram dadas para que pagamentos relacionados ao filme fossem realizados “via entre”.
Em 2025, a PF identificou que a Entre Investimentos enviou remessas totalizando US$ 12,3 milhões para o Havengate, que estavam alinhadas com o contrato de financiamento da produção, que previa um total de US$ 24 milhões.
“PIONEIRO NAS BAHAMAS”
O Relatório de Inteligência Financeira menciona que Freixo era conhecido como “pioneiro nas Bahamas” devido a estruturas offshore que teria estabelecido. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) rejeitou uma proposta de Termo de Compromisso apresentada por Freixo e outras entidades envolvidas no caso.
O Havengate, que deveria financiar um projeto imobiliário no Texas que não se concretizou, recebeu sua primeira remessa relacionada ao filme em fevereiro de 2025. A PF destaca que a estrutura do fundo estava conectada a indivíduos com vínculos diretos com figuras políticas influentes.
A PF solicitou a ampliação das investigações para elucidar a origem dos recursos, seu trânsito, e os beneficiários finais. A investigação também busca esclarecer o papel de Freixo e outros políticos envolvidos na estruturação e execução dos aportes financeiros.
OUTROS LADOS
Eduardo Bolsonaro, Mario Frias e Flávio Bolsonaro foram contatados para comentar sobre o inquérito da Polícia Federal. A Entre Investimentos também foi abordada para localizar Antônio Carlos Freixo Júnior e solicitar uma manifestação sobre o caso. No entanto, até o momento, não houve retorno às solicitações. O texto será atualizado assim que houver uma resposta.