PF investiga recebimento de adega, mansão e caviar por Castro em troca de apoio ao Refit
Ex-governador do Rio é acusado de receber vantagens indevidas em esquema de corrupção.
A Polícia Federal (PF) revelou em um relatório que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, teria recebido diversas vantagens em troca de sua atuação em favor da refinaria Refit, anteriormente conhecida como Refinaria de Manguinhos. Castro nega as acusações e se defende das investigações.
O documento foi divulgado após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantar o sigilo da segunda fase da Operação Sem Refino, na quinta-feira (3). As investigações visam apurar fraudes na concessão de licenças ambientais para a refinaria.
Entre as vantagens indevidas apontadas no relatório, destacam-se:
- R$ 10,5 mil em caviar;
- Pagamento do aluguel da residência de Castro na Barra da Tijuca;
- Uso de uma mansão em Petrópolis, onde foi construída uma adega avaliada em R$ 245 mil, sob encomenda do ex-governador.
Com base nas informações do relatório, Moraes autorizou 16 mandados de busca e apreensão para aprofundar as investigações. A operação, iniciada em 14 de agosto, investiga a lavagem de dinheiro e a concessão irregular de licenças ambientais, que teriam sido feitas sem a devida supervisão dos órgãos competentes.
As investigações buscam esclarecer a atuação de grupos criminosos organizados no estado e suas conexões com agentes públicos. A PF também investiga a possibilidade de lavagem de dinheiro e a ocultação de bens de luxo em nome de terceiros para beneficiar Castro.
Despesas pessoais
O relatório indica que o ex-governador teria agido para favorecer os interesses do empresário Ricardo Magro, apontado como líder da organização criminosa. Castro teria mantido comunicação direta com responsáveis por licenças ambientais para acelerar a liberação de projetos e prejudicar concorrentes de Magro.
Mensagens extraídas de celulares apreendidos revelam a relação direta entre Castro e as atividades ilícitas. Magro já teve sua prisão preventiva decretada, mas encontra-se foragido e foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.
Vantagens
O relatório da PF menciona que Castro encomendou uma degustação de caviar no Hotel Emiliano, em São Paulo, no valor de R$ 10,5 mil, que foi pago pela empresa de um advogado, identificado como Antonio Carlos da Conceição Santos, considerado um dos principais articuladores do esquema.
O ex-governador também é suspeito de utilizar uma casa em Petrópolis registrada em nome de uma empresa, controlando as atividades dos empregados e encomendando a construção de uma adega personalizada. O usufruto da mansão é visto como uma compensação por favorecer a empresa Enge Prat Engenharia, que firmou contratos significativos com o governo fluminense.
Além disso, Castro pagava um aluguel de R$ 10 mil por sua cobertura na Barra da Tijuca, um valor abaixo do mercado, que gira em torno de R$ 25 mil. A PF destaca que o imóvel foi adquirido por uma empresa dias após sua criação, sendo este o único registrado.
Defesa
A defesa de Cláudio Castro negou as acusações de envolvimento em lavagem de dinheiro e recebimento de vantagens indevidas. Em relação aos imóveis, afirmam que o contrato de locação é regular e que o imóvel em Petrópolis era alugado.
Sobre a questão do caviar, a defesa argumenta que a encomenda ocorreu mais de 30 dias após o término de seu mandato e que ele apenas retirou os produtos para um amigo. A defesa também ressalta que não há ligação entre os episódios investigados e a Refit, alegando que os contatos foram institucionais e não resultaram em benefícios pessoais.
A defesa já solicitou ao ministro Alexandre de Moraes que Cláudio Castro seja ouvido pela PF para esclarecer os pontos da investigação e apresentar documentos que comprovem sua inocência. O pedido está aguardando decisão.
Castro reafirma que não cometeu qualquer ato ilícito.
