PF planeja solicitar quebra de sigilo de fundo que apoia ‘Dark Horse’

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Polícia Federal investiga financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro com recursos de ex-banqueiro.

A Polícia Federal (PF) está em processo de solicitar aos Estados Unidos a quebra de sigilo de um fundo que recebeu investimentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, alegadamente destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Investigações apontam que esses recursos podem ter sido utilizados para cobrir despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que reside nos EUA desde fevereiro de 2025. A PF investiga ainda uma possível coação de autoridades brasileiras durante a gestão de Donald Trump.

Os recursos teriam sido direcionados da Entre Investimentos e Participações, uma empresa associada ao proprietário do Banco Master, para o fundo Havengate Development Fund, que é administrado por Paulo Calixto, advogado próximo a Eduardo.

Para efetivar a quebra de sigilo, a PF precisa da colaboração das autoridades americanas e da autorização da Justiça dos Estados Unidos.

A PF planeja utilizar a Difusão Prata da Interpol, que tem como objetivo identificar e reter bens de indivíduos sob investigação, ao invés de buscar foragidos, como faz a Difusão Vermelha. O Brasil é um dos 53 países que participam dessa iniciativa.

Em entrevista recente, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, expressou a necessidade de abrir um inquérito para investigar a transferência de recursos de Vorcaro para os EUA, com a justificativa de financiar “Dark Horse”.

Rodrigues mencionou que a PF analisou várias representações e enviou uma delas à Procuradoria-Geral da República para avaliação sobre o foro e relatoria do processo.

Questionado sobre a separação desse inquérito de outras investigações relacionadas ao Banco Master, ele confirmou que, segundo a análise técnica, essa investigação é distinta.

Andrei delineou três possíveis caminhos para as investigações: a primeira opção é integrá-las ao caso do Banco Master, sob a relatoria de André Mendonça no STF. A segunda possibilidade é que fiquem sob a responsabilidade de Alexandre de Moraes, que investiga as atividades de Eduardo Bolsonaro nos EUA. A terceira opção seria a distribuição aleatória do caso a outro ministro do Supremo.

A PF planeja solicitar a quebra de sigilo após obter a autorização do STF para abrir um novo inquérito.

A investigação busca determinar se os recursos, que teriam sido enviados a pedido do dono do Banco Master, realmente financiaram o filme ou se parte deles foi utilizada para custear a vida de Eduardo nos Estados Unidos, onde ele alega estar sendo perseguido por Alexandre de Moraes.

Eduardo Bolsonaro, que se mudou para os EUA no ano passado, é réu no STF em um processo por coação sob a relatoria de Alexandre de Moraes.

O fundo americano foi estabelecido em dezembro de 2020, e uma imagem compartilhada pelo escritório de advocacia de Calixto em 2023 mostra Eduardo em uma situação amigável com ele, reforçando a relação entre os dois.

Calixto se apresenta nas redes sociais como especialista em imigração, com mais de 20 anos de experiência e passagens pelo serviço de cidadania e imigração dos EUA e pelo Departamento de Estado.

Após a revelação do financiamento de “Dark Horse” com recursos de Vorcaro, Flávio Bolsonaro negou que os fundos tenham sido destinados a Eduardo, afirmando que foram alocados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e supervisão nos Estados Unidos. Calixto não se manifestou sobre o assunto.

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