PF recomenda à PGR abertura de inquérito contra sócia de ONG responsável por ‘Dark Horse’

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PF investiga Karina Gama por desvio de recursos públicos em projeto cultural.

A Polícia Federal encaminhou um parecer à Procuradoria-Geral da República, recomendando a abertura de inquérito contra Karina Gama, empresária e proprietária da Go Up Entertainment. A investigação se baseia em indícios de seu envolvimento em um esquema interestadual de desvio de recursos públicos.

O caso veio à tona após uma denúncia apresentada por parlamentares do PT na sede da Superintendência da PF. O documento que fundamenta a investigação se baseia em informações que apontam a ONG Instituto Conhecer Brasil, de Karina, como responsável por desvio de recursos do Sesi em pelo menos oito estados do país, conforme dados da Controladoria-Geral da União.

Auditorias realizadas pela CGU revelaram que o Instituto Conhecer Brasil atuou como uma entidade de fachada para obter recursos do Sistema S. Entre 2017 e 2018, o CN-Sesi repassou cerca de 11 milhões de reais ao instituto para a realização da ‘Feira da Cidadania’ em estados como Goiás, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Tocantins, Maranhão e Bahia.

Além dos sete estados mencionados, o instituto também recebeu verbas para o projeto ‘Fórmula Truck Kids’, que foi realizado apenas no Distrito Federal. A investigação apontou que, por meio de notas fiscais fraudulentas e entregas fictícias, parte significativa dos recursos foi desviada para empresas ligadas ao mesmo núcleo operacional.

Estima-se que pelo menos 2,4 milhões de reais tenham sido superfaturados. Documentos da CGU indicam que, dos 350 mil reais destinados ao projeto no DF, apenas 80 mil reais foram efetivamente utilizados para custear o evento, resultando em um superfaturamento direto de 270 mil reais.

No Rio Grande do Norte, por exemplo, foram cobrados 20 banheiros químicos e 48 refletores de palco, mas registros fotográficos mostraram apenas sete cabines sanitárias e dez refletores. Em Tocantins, foram identificadas despesas de aproximadamente 93 mil reais sem comprovação documental.

As auditorias da CGU também constataram que o Instituto Conhecer Brasil não possuía a estrutura operacional necessária para os contratos firmados, apresentando-se como um CNPJ sem empregados registrados, sem capital social significativo e sem veículos, utilizado apenas para contratar com o CN-Sesi e transferir integralmente os recursos a uma rede de empresas localizadas no DF.

A denúncia formal foi assinada pelos deputados federais do PT Pedro Uczai (SC), Erika Kokay (DF) e pelo vereador Nabil Bonduki (SP).

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